quinta-feira, 18 de junho de 2020

O cristão e o uso do pircing

                                             O CRISTÃO E O PIERCING


Esse uso pode se perder em uma memória atemporal,estando presente em todas as culturas e tempos.
Na Africa negra por exemplo,o corpo nu precisa ser marcado para existir: anéis,pinturas, escarificações e mutilações cobrem o corpo para darem identidade de pertença.

Sem esses elementos a nudez o deixaria vulnerável.

Nessas culturas além de ornamentais,elas tem a função de reconhecimento social e religioso.

Mas e o uso do piercing na cultura ocidental?Se foram amplamente usados,porque causam esse mal estar e aí entra o que o cristianismo encara sobre o corpo,que aponta para a Idade Média,o que se chama de análise iconográfica,associando marcas no corpo e o que designava herege, judeu,prostituta,carrasco,leproso etc ...todos que situavam à margem da prática cristã ou que podiam quebrar a representação cultural do imaginário da época como "imagem e semelhança de Deus"

É interessante frisar os efeitos de retorno do recalcado que é posto em ato em cada época.

Se o uso de marcas corporais está posta em uso desde o início pelos humanos,é inegável que o cristianismo reorienta esse uso a partir da colocação em causa da "sacralização do corpo",fazendo marcar aqueles que eram marginais à comunidade da fé.

Foi posto o uso de brinco para marcar a mulher judia por exemplo.Um estigma incorporado aos poucos,que passou a fazer parte primeiro do uso dos nobres e depois de uma forma abrangente. ( kkkk quem hoje identificaria o piercing na orelha,ou o famoso brinco como sendo um piercing em outras partes do corpo?)

Que efeito de retorno o cristianismo a partir da idade média como indicação do marginal na relação a sacralização do corpo,estando mais ligadas essa prática ao marginal no olhar ocidental mais ligadas à mutilação do que a ornamental.

É interessante a inversão de cada época:

O anel por exemplo,passa por evoluções e inversões.Se a imagem de marginalidade permanece,marca imposta pela Idade Média deslizou,pouco a pouco para uma distinção  reivindicada por alguns dos nossos contemporâneos .

Na nossa mentalidade o piercing está relacionado ao primitivo tribal ( o pior que uma grande maioria que usa reivindica à um retorno tribal )

Essa inversão se dá porque tudo que representa o Outro surpreende e maravilha,enquanto ontem assustava.A busca dessa marca hoje funciona como uma busca de diferenciação,de construção de identidade por aquilo que distingue.Isso pode ser tomado na diferenciação à cirurgia plástica,que é uma intervenção no corpo,buscando uma mudança de imagem.

                                                TATUAGEM

A tatuagem encontra seu uso também na antiguidade pelo uso ocidental,incorporada por um uso marginal e como o pircing adquire status de identidade,buscada principalmente pelos jovens.

A tatuagem traz uma marca mais acentuada de marca e mais que ornamental,surgindo como necessidade de produção de traços no real: seja nos ossos da caça ( abordado por produções lacanianas a respeito de um primeiro traço simbólico,chamado de traço unário) ou para marcar a pertença de um corpo.

Tatuar não é somente pintar-se,mas também escarificar (furar derme introduzindo pigmentos),compondo assim uma marca definitiva,tendo uma dupla função:

1. Coletivizar
2. Singularizar

Pierre e Guillon na obra "Os homens ilustrados" contam sobre os raros sobre vários trabalhos que abordaram na história e significados de tatuagens nas diferentes culturas ,tentando dar dignidade na cultura ocidental,que foi marginalizada pela proibição e proscrição de seu uso.Eles ligam o uso de tatuagem às seguintes representações :

1. Marca de identidade

Encontradas em várias sociedades com diferentes significações ( nobres guerreiros, escravos, estrangeiros,prostitutas,párias etc...

2. Marca religiosa 

Marcava tanto adeptos como hereges e nas religiões primitivas como proteção de maus espiritos 

3. Parte cerimonial 

Como marca de passagem de um estado ao outro,como mudança de identidade social (adolescência etc ),acompanhado de mudança de nome ( conheçemos muito no judaísmo a circuncisão,que na época era uma mutilação no corpo )

Assim nas sociedades em que a tatuagem representava um ritual,destaca-se as seguintes funções:tatuagem social( representação do totem do sujeito),tatuagem comemorativa ( puberdade etc),tatuagem de luto ( morte do parente ou amigo ),tatuagens mágicas ( proteção etc ),tatuagens terapêuticas(tratamento de artrite etc),tatuagens ornamentais. ( Na Polinésia esse uso é conservado).

Essa breve introdução é para mostrar que em todos os lugares e sociedades,marcas corporais foram e são usadas.Desde as sociedades totêmicas e animistas até a sociedade ocidental.

A vigência do monoteísmo proibiu seu uso.As marcas corporais apresenta registros contraditórios de enobrecimento e degradação.

Desde o tempo das cruzadas houve fascínio pelo estrangeiro,sendo definido como fora da cultura.

Na época das grandes navegações,surge a curiosidade  taxonômica e "espécimes"de homens tatuados são expostos à um saber científico,ordenador da realidade e por meio de marinheiros dá-se o retorno disso.

Como na Idade Média as marcas corporais representavam infâmia,uma prescrição social de desonra e o retorno do uso no Ocidente se dá pela busca ativa por um valor marginal.

A partir do século XIX vários setores da sociedade passam a usar de forma por iniciativa própria,como uma forma de organização própria contemporânea,onde o marginal passa a ter valor pela exceção que se constitui socialmente e isso dissemina entre os jovens

Como entender esse peculiar proscrito ocidental?


                                       BORDAS CORPORAIS E BORDAS SOCIAIS

Tatuagem,piercing,escarificações são formas de fazer bordas.
Borda é a relação que situa as fronteiras corporais.
Parecia ao longo da história que seria necessária a reconstituição,o recorte insistente das bordas do corpo.
Essas bordas tem a ver com a relação com o ambiente,com o outro e com a realidade.
Nosso olhar se compõe o nosso olhar,são as bordas que fazem com que possamos ver ou seja ter essa imagem que nos vê de fora e registramos como se fosse nossa .
Furar,recortar o corpo não são consideradas das sociedades ditas primitivas,mas fazem parte da história adequando-se à diferentes culturas.

O que chama a atenção tanto no piercing como na tatuagem é sua dupla condição:
. Fazer orifício
. Acrescentar elementos ao organismo como compondo o próprio corpo

quinta-feira, 11 de junho de 2020

E ouve trevas sobre a terra

                                      "E OUVE TREVAS SOBRE A TERRA" Mateus 27:45


Estamos à beira da cruz e da vergonha,e Mateus narra nesse capítulo p último ato do terror de Judas,o qual sente espanto do terror que tinha feito.Judas tomou o dinheiro e o jogou no templo, e o interessante é que a palavra que emprega não é a que designa os recintos do templo em geral (hieron), mas sim a que se refere ao templo propriamente dito (naos).Lembraremos que o templo constava de uma série de pátios que se abriam uns sobre outros.

Em seu cego desespero Judas chegou ao Pátio dos Gentios, passou através dele até o Pátio das Mulheres, daí foi ao Pátio dos Israelitas; não poderia ir mais longe, tinha chegado ao limite que separava o Pátio dos Sacerdotes, com o próprio templo no extremo.

Pediu-lhes que recebessem o dinheiro; mas não quiseram fazê-lo, tomou e o lançou, logo saiu correndo e se enforcou . Sem dúvida o suicídio de Judas é a indicação final de que seu plano tinha fracassado. 

Aqui nos encontramos com duas grandes verdades sobre o pecado. 

(1) O mais terrível sobre o pecado é que não podemos voltar atrás. Não podemos desfazer o que já fizemos. Não se precisa ser muito velho para experimentar esse desejo terrível e urgente de poder voltar a viver algum momento determinado. O relembrar que não podemos voltar atrás em nenhuma ação, deveria nos fazer duplamente cuidadosos de como procedemos. 

(2) O que é estranho sobre o pecado é que alguém pode chegar a odiar aquilo que obteve por meio desse mesmo pecado. O prêmio que se obteve por meio do pecado pode produzir desgosto, espanto e repulsa, até que o único desejo da vida é fazê-lo desaparecer dela. A maior parte das pessoas pecam porque acreditam que se puderem possuir a coisa proibida será feliz. Mas aquilo que o pecado desejava e obteve pode converter-se naquilo do qual o homem daria algo para livrar-se – e com muita freqüência não pode fazê-lo.

Neste lugar, Mateus cita de cor, e a citação não pertence a Jeremias, e sim a Zacarias. Procede de uma estranha passagem (Zacarias 11:10-14) na qual o profeta nos relata que recebeu uma recompensa indigna e a lançou ao tesouro. Nessa velha imagem Mateus viu uma semelhança simbólica com o que Judas tinha feito.

Como Judas se empenhou muito em seguir seu próprio caminho, morreu como suicida.

Os dois primeiros versículos desta passagem descrevem o que deve ter sido uma reunião muito breve do Sinédrio, celebrada a uma hora bem cedo de manhã, com a intenção de formular uma acusação oficial contra Jesus.

De maneira que o Sinédrio devia formular uma acusação com a qual pudesse ir a Pilatos e exigir a morte de Jesus. Mateus não nos diz qual foi a acusação, coisa que Lucas o faz. No Sinédrio, a acusação que se levantou contra Jesus foi um acusação de blasfêmia (Mateus 26:65-66).

Conforme nos diz Lucas (23:2), apareceram diante de Pilatos com uma acusação tripla, cada uma de cujas partes era uma mentira, uma flagrante mentira. 
1)Acusaram a Jesus, em primeiro lugar, de ser um revolucionário, 
2) Acusaram Jesus em segundo lugar, de incitar as pessoas a não pagar impostos 
3) Acusaram Jesus por último, de afirmar que era rei 

Fabricaram três acusações políticas, cada uma delas uma mentira consciente, porque sabiam que Pilatos agiria só a partir desse tipo de acusações. De maneira que tudo ficou dependente da atitude de Pilatos. 

Pilatos era o procurador da província e era responsável em forma direta, não diante do Senado romano, e sim diante do Imperador.Um homem de bastante experiência porque teria que galgar uma série de posições, entre elas o comando militar, até estar preparado para tornar-se governador. Pilatos deve ter sido um soldado e administrador que tinha passado por todas as provas necessárias.

A reputação de Pilatos entre os judeus era algo terrível e o fato de que estes pudessem denunciá-lo fazia com que sua posição fosse completamente insegura. 

 A lenda conta que terminou suicidando-se,quando Pilatos se dirigia a Roma para ser julgado devido uma selvageria contra os samaritanos .

Em um  relatório que não é mais que uma lenda, mas não se pode questionar o seguinte: Pilatos sabia que Jesus era inocente, mas suas más ações anteriores deram aos judeus uma alavanca para obrigá-lo a fazer o que lhe pediam, embora ia contra seu melhor juízo e seu sentido da justiça. 

Inicia-se a espantosa rotina da crucificação. 
A última seção terminou dizendo que Pilatos mandou açoitar a Jesus.

O açoite romano era uma tortura terrível. Despia-se a vítima, atavam-se suas mãos atrás e o amarravam a um poste com as costas curvadas e expostas ao açoite. O látego era uma larga tira de couro ao longo da qual havia pedaços de osso afiados e bolas de chumbo. Os açoites sempre precediam à crucificação e "reduziam o corpo nu a farrapos de carne e feridas inflamadas e sangrantes". Alguns morriam pelos açoites, outros perdiam a razão, e eram poucos os que permaneciam conscientes depois de tê-los recebido. 

Depois disso Jesus foi entregue aos soldados .

Levaram-no a seus barracos no quartel do governador e chamaram o resto do destacamento. No destacamento, chamado speira, havia seiscentos homens.(Estes soldados constituíam a guarda pessoal de Pilatos que o tinham acompanhado desde Cesaréia, onde tinha sua residência permanente )

O que os soldados fizeram pode nos fazer estremecer.Estes soldados eram recrutas que podiam provir do outro extremo do mundo e se divertiam com suas brincadeiras pesadas.

Possivelmente isto foi o mais  fácil de Jesus aguentar, porque embora o disfarçaram de rei; não havia ódio em seu olhar. Para eles, não era mais que um galileu meio louco que ia à cruz.Zombaram dele como se zomba de um menino imbecil,isso é o que representava Jesus para os soldados. 

Depois se prepararam para levá-lo à crucificação.

Podemos tentar chegar a uma imagem vívida do que Jesus fez e sofreu por nós.
A crucificação é a morte mais terrível e cruel imaginada pelos homens para vingar-se de seu próximo.A tortura mais cruel e horrível,uma tortura só digna de escravos .

Originou-se em Pérsia devido ao fato de que considerava-se que a terra era sagrada para o Ormuz, o deus, e se erguia o criminoso para que não manchasse a terra, que era propriedade do deus. Da Pérsia passou a Cartago no norte da África. Roma a copiou de Cartago embora só a reservava para os rebeldes, os escravos que escapavam e a classe mais baixa de criminais. De fato, era um castigo ilegal de infligir a um cidadão romano.

Fixava-se à cruz o criminoso, convertido já em uma massa de sangue devido aos açoites. Aí permanecia pendurado para morrer de fome, sede e pelo calor do Sol, incapaz de defender-se sequer da tortura das moscas e mosquitos que posavam sobre seu corpo nu e sobre suas feridas sangrantes. 
Não é uma imagem agradável, mas foi isso o que Jesus sofreu voluntariamente por nós.
A narrativa da cruz diz por si só o que seria,mas podemos apresentar o pano de fundo para que a imagem seja o mais claro possível. 

Quando um criminoso era condenado, era levado à crucificação. Era situado em meio de um quadrado vazio formado por soldados romanos. O costume era que carregasse o lenho horizontal de sua própria cruz; o vertical o esperava no cenário da crucificação. A acusação pela qual a pessoa era executada se escrevia sobre uma madeira, depois era pendurada em volta do pescoço ou um soldado o levava diante da procissão e logo era fixado à cruz. O criminoso era levado ao lugar da crucificação pelo caminho mais longo possível para ser visto pela maior quantidade de gente e a lúgubre cena lhes servisse de advertência. Jesus passou pelos espantosos açoites, depois suportou as zombarias dos soldados, antes disso o tinham interrogado durante a maior parte da noite: estava fisicamente exausto e cambaleava sob a cruz. 

Os soldados romanos sabiam muito bem o que deviam fazer nesses casos. Palestina era um país ocupado; tudo o que o soldado romano tinha que fazer era tocar um judeu no ombro com a ponta de sua lança e o homem devia fazer qualquer coisa que lhe fosse ordenado, por mais baixa e desagradável que fosse.

De Cirene (norte da África ),Simão que durante anos economizou dinheiro para assistir a esta Páscoa, e agora caía sobre ele esta vergonha e indignidade; porque o obrigaram a carregar a cruz de Jesus.Quando Marcos conta a história identifica a Simão como o "pai de Alexandre e de Rufo" (Marcos 15:21). O único sentido da identificação pode ser que Alexandre e Rufo fossem conhecidos na Igreja. E deve ser que nesse dia trágico Jesus se apoderou do coração de Simão. O que para ele era como o dia de sua vergonha se converteu em seu dia de glória.

O lugar da crucificação era um monte chamado Gólgota, porque tinha a forma de uma caveira. Quando se chegava ao lugar era preciso empalar o criminoso sobre sua cruz. Sus mãos eram atravessadas com pregos, mas em general os pés eram atados frouxamente à cruz. Nesse momento, e para adormecer sua dor, davam-lhe a beber vinho drogado, preparado por um grupo de mulheres abastadas de Jerusalém como um ato de misericórdia. Um escrito judeu diz: "Quando se leva a um homem para matá-lo, deve-se permitir que beba um grão de incenso em uma taça de vinho para adormecer seus sentidos... As mulheres abastadas de Jerusalém costumavam doar estar coisas e levá-las ao lugar." A taça drogada foi oferecida a Jesus mas Ele se recusou a bebê-la, porque se propôs aceitar a morte em seu aspecto mais amargo e lúgubre e não evitar nem a mais mínima dor.

Os criminosos eram crucificados nus, à exceção de uma tanga e a roupa do criminoso passava a ser propriedade dos soldados como pagamento. 

Todo judeu levava cinco coisas: os sapatos, o turbante, o cinturão, a túnica interior, e a capa exterior. De maneira que havia cinco artigos e quatro soldados. Os primeiros quatro artigos eram todos do mesmo valor, mas a capa era mais valiosa que todos os outros. Os soldados lançaram sortes pela capa de Jesus, conforme relata João (João 19:23-24). De maneira que quando os soldados terminaram de repartir a roupa se sentaram a montar guarda até que chegasse o fim. 

Os últimos versículos desta seção descrevem as zombarias e piadas que dirigiram a Jesus os que passavam por ali, as autoridades judaicas e os ladrões crucificados a seu lado. Todas as zombarias se centravam ao redor de uma coisa: as afirmações feitas por Jesus e sua aparente impotência na cruz.

Usavam a glória de Cristo para zombar dEle. Diziam: “Desça da cruz, e creremos nEle.”
Os judeus só podiam ver Deus em meio ao poder, mas Jesus mostrou aos homens que Deus é amor sacrificial.

Marcos é o mais exato em sua menção do tempo. Diz-nos que crucificaram a Jesus na terceira hora, quer dizer às nove da manhã (Marcos 15:25), e que morreu na hora nona, quer dizer, às três da tarde (Marcos 15:34).  Isso significa que Jesus esteve pendurado na cruz durante seis horas. A agonia de Jesus foi breve, porque sucedia que os criminosos ficavam pendurados de suas cruzes durante dias até que a morte tivesse piedade deles.

                                     "E OUVE TREVAS SOBRE A TERRA"

TRÊS HORAS DE TREVAS...

E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona” (Mateus 27:45)

Desde as nove da manhã até ao meio-dia, a luz do Sol iluminou com toda sua intensidade usual; de tal forma que os adversários de nosso Senhor tiveram tempo suficiente para contemplar e insultar Seus sofrimentos.
Não poderia haver nenhum equivoco a respeito do fato de que Ele estava realmente cravado na cruz. Pois, Ele foi crucificado em plena luz do dia. Estamos plenamente convencidos que foi Jesus de Nazaré, já que tanto seus amigos como seus inimigos foram testemunhas oculares de Sua agonia: durante três longas horas os judeus estiveram sentados ali o contemplando na cruz, zombando de Suas misérias.

Quando Jesus morreu houve uma escuridão. Foi como se o próprio Sol não suportasse olhar o que as mãos do homem tinham feito. O mundo está sempre escuro quando os homens procuram eliminar e destruir a Cristo .

Dou graças por essas três horas de luz. Do contrário, os inimigos de nossa fé teriam questionado se verdadeiramente o corpo bendito de nosso Senhor foi cravado na cruz, e haveriam dado motivo a inumeráveis fantasias, tão abundantes como os morcegos e as corujas que rondam na escuridão. Onde estariam as testemunhas dessa solene cena se o sol estivesse oculto desde manhã até de noite? Posto que três horas de luz proporcionaram a oportunidade de que se verificasse e de que se pudesse dar testemunho do fato, vemos nisso a sabedoria que não permitiu que a luz se dissipará tão rapidamente.
Nunca percam de vista que esse milagre de fechar os olhos do dia, exatamente ao meio-dia, foi realizado por nosso Senhor em Sua debilidade. Ele havia caminhado sobre o mar, ressuscitado mortos, e sarado aos enfermos nos dias de Sua força; porém, agora, decaiu baixíssimo, tem febre, sem forças e sedento. Ele se movimenta nos limites da dissolução; no entanto, possui o poder de escurecer o sol exatamente ao meio-dia. Ele é ainda verdadeiro Deus de verdadeiro Deus.

Se Ele pode fazer isso em Sua debilidade, o que não poderá fazer em Seu poder? Não esqueçam que esse poder foi desdobrado em uma área na que Ele usualmente não manifestou Sua força. A área de Cristo é de bondade e benevolência, e conseguintemente, de luz. Quando Ele adentra nas áreas de convocar à escuridão ou de chamar à juízo, Ele ocupa-se daquilo que Ele nomeia Sua estranha obra. As obras de Sua mão esquerda são maravilhas de terror. Somente de vez em quando que Ele faz com que o sol se oculte ao meio-dia, ou escurece a terra em dia claro (Amós 8:9).

Se nosso Senhor pôde trazer a escuridão ao morrer, que glória não poderíamos esperar agora que Ele vive para ser luz da cidade de Deus para sempre? O Cordeiro é a luz, e que luz! Os céus mostram as pistas de Seu poder agonizante, e perdem seu brilho. Por acaso os novos céus e a nova terra não darão testemunho do poder do Senhor ressuscitado? As densas trevas que rodeiam ao Cristo moribundo são as vestes do Onipotente: Ele vive outra vez, e tem todo o poder em Suas mãos, e todo esse poder o empregará para abençoar Seus eleitos.

Que chamado deve ter sido para os despreocupados filhos dos homens, esse meio-dia convertido em meia-noite! Eles não sabiam que o Filho de Deus estava em meio deles; nem que Ele estava cumprindo a redenção humana. A hora mais grandiosa de toda a história humana dava a impressão que passaria sem que se a notasse, quando, subitamente, a noite saiu apressadamente de suas habitações e usurpou o dia. Todo mundo perguntou a seu companheiro: “o que essa escuridão significa?”. Os negócios foram paralisados: o arado ficou no meio do sulco e o machado não pode ser alçado. Era meio-dia, justo quando os homens encontram-se mais ocupados; porém, todos eles fizeram uma pausa geral. Não só no Calvário, mas também em todas as colinas, e em cada vale, as trevas baixaram. Houve um hiato na caravana da vida. Ninguém podia se mover exceto buscando seu caminho as apalpadas, tal como os cegos o fazem. O dono da casa pediu que a luz fosse acesa ao meio-dia, e o servente, tremendo, obedeceu essa ordem inusitada. Outras luzes também brilhavam, e Jerusalém era uma cidade submersa na noite, mas os homens não estavam em suas camas. Como a humanidade estava surpreendida! Em volta desse grandioso leito de morte conseguiu-se uma quietude apropriada. Não duvido que um gélido terror apoderou-se das massas das pessoas, e que os homens prudentes anteciparam coisas terríveis. Os que tinham permanecido ao redor da cruz, e se atreveram a insultar a majestade de Jesus, estavam paralisados de terror. Eles cessaram com sua obscenidade e deixaram de cruelmente se alegrarem. Até mesmo os mais vis deles estavam atemorizados, ainda que não convencidos – os demais “se golpeavam nos peitos”. Os que puderam, sem dúvida, foram tremulantes para suas casas trataram de se esconder, por medo dos terríveis juízos que, temiam, teriam que encarar.

Não me surpreende que existam tradições de coisas estranhas que foram ditas no silêncio dessas trevas. Esses sussurros do passado podem ou não ser verdadeiros; foram tema de controvérsia dos estudiosos, porem o esforço da disputa foi energia mal gasta. No entanto, não nos surpreenderia que alguém tenha dito, como afirmam alguns repórteres: “Deus está sofrendo ou o mundo está perecendo”. Nem irei eliminar de minhas crenças a lenda poética que afirma que o piloto egípcio de um barco, navegando rio abaixo entre seus bancos cheios de juncos, escutou uma voz que saia da sussurrante flora, dizendo: “O grandioso Pão morreu”. Em verdade, o Deus da natureza estava expirando, e coisas ainda mais ternas que os juncos da ribanceira tremeriam diante desse som.

Somos informados que essas trevas cobriram toda a terra; e Lucas diz: “sobre toda a terra”. Essa parte de nosso globo na que correspondia à noite natural, não foi afetada; porém, para todos os homens que estavam despertos, e que se encontravam em seus trabalhos, era o aviso de um grandioso e solene evento. Era estranho além de toda experiência, e todos os homens se maravilharam; pois, quando a luz devia de ter tido maior brilho, todas as coisas foram escurecidas pelo espaço de três horas.

Deve existir um grande ensino nessas trevas; pois quando nos aproximamos da cruz, que é o centro da história, cada evento está repleto de significado. Luz saltará dessas trevas. Amo sentir a solenidade das três horas de sombras de morte, assentar-me ali e meditar, sem nenhuma companhia, exceto ao Augusto Sofredor, em cujo redor desceram as trevas. Irei apresentar quatro pontos, segundo o Espírito Santo me guie. Primeiro, inclinemos nossos espíritos na presença de um milagre que nos assombra; em segundo, consideremos essas trevas como um véu que esconde; em terceiro, como um símbolo que instrui; e em quarto lugar, como um demonstração de simpatia, que nos serve de advertência pelas profecias que implica.

I. Em primeiro lugar, contemplemos essas trevas como UM MILAGRE QUE NOS ASSOMBRA.


No versículo 46 temos a frase que deve aparecer a qualquer um como a mais assombrosa de todo o relato evangélico: a exclamação de Jesus: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Trata-se de uma frase ante a qual só podemos baixar a cabeça em sinal de respeito. Entretanto, devemos buscar entendê-la. 
Houve muitos intentos de penetrar o mistério dessa frase; só podemos nos referir a três deles.

(1) É estranha a forma como o Salmo 22 se intercala em todo o relato da crucificação; e, de fato, esta frase é o primeiro versículo sobre esse salmo. Quando nos remetemos a ele, vemos que o salmista diz: “Todos os que me vêem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no SENHOR! Livre-o ele; salve-o, pois nele tem prazer” (Salmo 22:7-8). Quando continuamos lendo o mesmo salmo vemos que diz: “Repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica deitam sortes” (Salmo 22:18). 
Esse salmo está entretecido com toda a história da crucificação. Agora, sugeriu-se que o que Jesus fazia, na verdade, era repetir esse salmo em seu íntimo e, embora o salmo começa no abandono mais absoluto, termina com um triunfo total: “Cantar-te-ei louvores no meio da congregação... Pois do SENHOR é o reino, é ele quem governa as nações” (Salmo 22:25-31). 
De maneira que se sugere que Jesus repetia esse salmo na cruz como uma imagem de sua própria situação e como um cântico de sua confiança e sua fé, visto que sabia muito bem que começava nas profundezas e terminava nas alturas. 
Trata-se de uma sugestão muito atraente, mas quando se está sobre uma cruz, ninguém repete poesia no seu íntimo, mesmo que se trate de um salmo; e além disso, toda a atmosfera do mundo escurecido pertence à tragédia mais desoladora.

 (2) Sugere-se que nesse momento todo o peso dos pecados do mundo caiu sobre o coração e o ser de Jesus. Que foi nesse momento quando “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” (2 Coríntios 5:21); e que o castigo que aguentou por nós foi a inevitável separação de Deus, a qual produz o pecado. Ninguém pode afirmar que isso não seja certo, mas se o é, é um mistério que só podemos expor e diante do qual a única coisa que podemos fazer é nos sentir maravilhados. 

(3) Pode ser que haja algo mais humano aqui, se assim podemos dizer. Parece-me que Jesus não seria Jesus se não tivesse penetrado nas mais recônditas profundezas da experiência humana. Agora, na experiência humana e à medida que passa a vida e nela entra a tragédia, há momentos, possivelmente um só, nos quais sentimos que Deus se esqueceu de nós. Segundo minha opinião, isso foi o que aconteceu a Jesus aqui. Vimos que a única coisa que Jesus sabia no jardim era que devia seguir adiante, porque essa era a vontade de Deus, e que devia aceitar aquilo que nem sequer Ele podia chegar a compreender. Aqui vemos a última agonia dessa situação humana. Vemos Jesus descer às últimas profundezas da situação humana para que não houvesse lugar que tenhamos que ir ao qual Jesus não tenha estado antes. 

É evidente que aqueles que escutavam não entendiam. Alguns pensavam que chamava Elias; devem ter sido os judeus.

 Teria sido terrível que Jesus morresse com um grito assim nos lábios; mas não o fez. A narração nos diz que depois de ter dado um grande clamor, entregou o espírito. Esse clamor deixou uma marca nas mentes dos homens. Aparece em cada um dos evangelhos (Mateus 27:50; Marcos 15:37; Lucas 23:46). Mas um deles vai mais longe. João nos diz que Jesus morreu com um grito: “Está consumado!” (João 19:30). Em grego, essa frase se diz em uma só palavra – Tetelestai – e o mesmo acontece no aramaico. E essa mesma palavra é a exclamação do vencedor; a do homem que completou sua tarefa; a de quem venceu na luta; a de quem saiu da escuridão à glória da luz e tomou posse da coroa. De maneira que Jesus morreu vitorioso e conquistador, com um grito de triunfo nos lábios. 

Aqui está, pois, o elemento valioso. Jesus passou pelo mais profundo dos abismos e depois irrompeu a luz. 

A REVELAÇÃO FULMINANTE (Mateus 27:51-56)

Esta passagem se divide em três partes.

(1) Temos o relato das coisas surpreendentes que ocorreram quando Jesus morreu. Quer devamos tomar ao pé da letra ou não, ensinam-nos duas grandes verdades. 

(a) O véu do templo se rasgou de alto a baixo. Tratava-se do véu que ocultava o lugar santíssimo, além do qual ninguém podia passar com exceção do sumo sacerdote no Dia do Perdão. Atrás desse véu morava o Espírito de Deus. Aqui temos um elemento simbólico. Até este momento Deus tinha estado oculto, era algo remoto, e ninguém O conhecia. Mas na morte de Jesus vemos o amor escondido de Deus, e o caminho que uma vez esteve fechado a todos os homens, agora está aberto para que todos cheguem à presença de Deus. A vida e morte de Jesus nos mostram como é Deus e tiram para sempre o véu que ocultava Deus dos homens. 
(b) Abriram-se os sepulcros. Este símbolo significa que Jesus venceu a morte. Ao morrer e ressuscitar, Jesus destruiu o poder da morte. Devido à sua vida, sua morte e sua ressurreição o sepulcro perdeu seu poder, a tumba perdeu seu terror e a morte sua tragédia, porque agora estamos seguros de que, porque Ele vive, nós também viveremos.
 

(2) Temos o relato da adoração do centurião. Só podemos dizer uma coisa sobre isto. Jesus havia dito: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (João 12:32). Jesus predisse o poder magnético da cruz, e o centurião foi o primeiro fruto da cruz de Cristo. A cruz o tinha levado a ver a majestade de Jesus como nenhuma outra coisa o tinha obtido jamais. 

(3) Temos a singela afirmação a respeito das mulheres que viram o fim. Todos os discípulos O abandonaram e fugiram, mas as mulheres ficaram. Tem-se dito que, diferente dos homens, as mulheres não tinham nada a temer porque sua posição era tão baixa que ninguém prestaria a menor atenção às discípulas. Mas há muito mais que isso. Estavam ali porque amavam a Jesus e, nelas, como em muitos outros, o amor perfeito tinha feito desaparecer o medo.
 

  

quarta-feira, 10 de junho de 2020

2 Pedro 3:15-16

                                       FALSIFICADORES DAS ESCRITURAS ( 2 Pedro 3:15-16 )


O autor da carta,falando sobre o que pode "apressar" a vinda do Senhor e "atrasar" a vinda do Senhor,ele cita o apóstolo Paulo,tornando esses versículos de difícil interpretação,levando Calvino a achar que esta carta não foi escrita por Pedro,pois esse jamais falaria de Paulo desta forma,mas o texto diz:

"Considerai que a longanimidade do nosso Senhor é uma oportunidade para que possais receber a Salvação, assim como o nosso amado irmão Paulo também vos escreveu, de acordo com a sabedoria que Deus lhe concedeu. 

Ele escreve do mesmo modo em todas as suas epístolas, discorrendo nelas sobre esses assuntos, nas quais existem trechos difíceis de entender, os quais são distorcidos pelos ignorantes e insensatos, como fazem também com as demais Escrituras para a própria destruição deles."

Pedro cita aqui a Paulo como ensinando as mesmas coisas que ele ensina. 
Pode ser que se refira a que Paulo concorda com ele em que é necessária uma vida piedosa e santa em vista da iminente Segunda Vinda de nosso Senhor. 

Mas é mais provável que se refira a que ambos coincidem em que o fato de que Deus detenha sua mão não deve ser interpretado como demora ou indiferença, mas sim como uma oportunidade para que a raça humano se arrependa, creia no evangelho e aceite a Jesus Cristo. Paulo fala daqueles que desprezam as riquezas da misericórdia e da paciência de Deus e esquecem que sua bondade nos guia ao arrependimento (Romanos 2:4). 

Mais de uma vez Paulo destaca esta tolerância e paciência de Deus (Romanos 3:25; 9:22). 

Tanto Pedro como Paulo concordavam em que a tolerância e a paciência divinas, o fato de que Deus retenha sua mão para não castigar, não têm que ser usados como desculpa para pecar, mas sim como um meio de arrependimento e como uma oportunidade de emenda.

Com sua referência a Paulo e com sua velada crítica a este apóstolo, temos aqui uma das passagens mais enigmáticas do Novo Testamento. 

Mas, em realidade, o que é que podemos aprender desta passagem?

(1) Em primeiro lugar descobrimos que já por este tempo as Cartas de Paulo eram lidas através de toda a Igreja. São mencionadas numa forma que torna evidente que já tinham sido reunidas e publicadas e que, além disso, era possível consegui-las normalmente e eram amplamente lidas. Hoje estamos razoavelmente seguros de que isto não ocorreu até aproximadamente o ano 90 d. C. Ao redor desse ano as Cartas de Paulo foram reunidas e publicadas em Éfeso. Isto significa que esta Epístola, que é Segunda Pedro, não pode ter sido escrita antes e que, portanto, não pode ser realmente obra de Pedro, pelo fato de que este foi martirizado na década do 60 daquele século.

(2) Informa-nos que as Cartas de Paulo tinham chegado a ser consideradas como Escritura. Os inconscientes as desvirtuavam tal como faziam com as outras Escrituras. Isto também leva a provar que Segunda Pedro deve proceder de uma época bastante avançada na história da Igreja primitiva, pelo fato de que teriam sido necessárias várias gerações antes de que as Cartas de Paulo pudessem ser postas ao mesmo nível que os escritos do Antigo Testamento. 

(3) É difícil entender qual é a atitude para com Paulo nesta passagem. Paulo escreve, conforme diz esta Carta "segundo a sabedoria que lhe foi dada". Bigg opina que esta frase pode ser tanto um elogio como uma prevenção. A verdade é que Paulo sofreu a sorte de todos os homens destacados. Teve seus críticos. Experimentou os inconvenientes de todos os que enfrentam sem temor os fatos e declaram a verdade. Havia aqueles que o considerava como grande mas perigoso.

(4) Há coisas — diz esta Carta — que nas Epístolas de Paulo são difíceis de entender e que os ignorantes torcem para sua própria ruína. A palavra traduzida difíceis de entender é dusnoetos. Este termo era usado para referir-se aos pronunciamentos de um oráculo. Como sabemos, as respostas dos oráculos gregos eram sempre ambíguas. 

Temos o clássico exemplo de um rei que estava a ponto de sair para a guerra. Consultou o Delfos e foi dada esta resposta: "Se for à guerra, destruirá uma grande nação." O rei tomou isto como uma profecia segundo a qual ele destruiria a seus inimigos. Mas o que em realidade ocorreu foi que ele foi derrotado e assim, por ir a essa guerra, destruiu a seu próprio país. Este é um exemplo da típica ambiguidade dos antigos oráculos. E esta é a mesma palavra que Pedro emprega para referir-se aos escritos de Paulo. Quer dizer: há nestes algumas coisas que são tão difíceis de interpretar como as respostas dadas pelos oráculos.

Pedro afirma que nos escritos de Paulo não só há pontos difíceis de entender, mas também há coisas que a pessoa pode tergiversar para sua própria destruição. Quais seriam as coisas contidas no pensamento e no ensino de Paulo suscetíveis de ser torcidas, tornando-se algo destrutivo da verdadeira religião? 

Três coisas acodem imediatamente à mente. 

1) A doutrina paulina da graça foi, em realidade, desvirtuada e transformada em desculpa, justificação e até razão para pecar (Romanos 6). 

2)A doutrina da liberdade cristã também foi desvirtuada e transformada em desculpa para cair na libertinagem (Gálatas 5:13). 

3)A doutrina de Paulo com relação à fé foi transformada em argumento para sugerir que a ação cristã não tinha importância, como vemos em Tiago (2:14-26).

G. K. Chesterton  este famoso novelista que a ortodoxia era algo assim como caminhar ao longo de um estreito precipício, quase como o fio de uma faca. Um passo a qualquer dos dois lados era um passo rumo ao desastre. Jesus é Deus e homem; Deus é amor e santidade; o cristianismo é graça e moralidade; o cristianismo vive neste mundo e também vive na eternidade, sublinhemos qualquer lado destas grandes verdades e imediatamente surgirá a destruidora heresia. 

Uma das circunstâncias mais trágicas se produz quando o homem tergiversa a verdade cristã e as Sagradas Escrituras transformando-a em defesa, desculpa e até em razão para fazer o que ele quer e não as aceita como uma guia para fazer o que Deus quer que faça.

                                                       CONCLUSÃO

 Pedro 3:17-18 Aqui, na conclusão, Pedro assinala certas características da vida cristã.

(1) O cristão é uma pessoa que está advertida. Quer dizer: não pode alegar ignorância. Conhece o caminho reto e sua recompensa; conhece também o caminho errado e seu desastroso fim. Não tem direito de esperar uma marcha fácil, porque já percebeu que o cristianismo significa a cruz, que sempre haverá aqueles que estejam dispostos e desejosos de atacar e corromper a fé. Estar advertido é também estar preparado, mas a advertência é também responsabilidade grave pelo fato de que aquele que conhece o bem e faz o mal está sob dupla condenação. 

(2) O cristão é uma pessoa que tem fundamento para sua vida. Deve estar enraizado e baseado sobre a fé. Há certas coisas a respeito das quais está absolutamente seguro. Existe certa inflexibilidade na vida cristã; determinou bases de fé que nunca mudam. O cristão nunca deixará de crer que "Jesus Cristo é Senhor" (Filipenses 2:11). Nunca deixará de estar consciente de que tem a obrigação de fazer com que sua vida concorde com sua crença. 

(3) O cristão é uma pessoa cuja vida está em desenvolvimento. A inflexibilidade da vida cristã não é a rigidez da morte. O cristão tem que experimentar cotidianamente a maravilha da graça; cada dia tem que ir penetrando cada vez mais na maravilha de Jesus Cristo. Unicamente sobre um sólido fundamento pode erguer um elevado edifício; e somente devido a suas profundas raízes pode uma árvore alta elevar seus ramos ao céu. A autêntica vida cristã é, ao mesmo tempo, uma vida com sólido fundamento e em contínuo desenvolvimento, avançando e ascendendo. 

E assim termina a Epístola, dando glória a Cristo, agora e até o fim dos tempos.

A vida no Espírito

                                                       A VIDA NA CARNE ( Gálatas 5:16-21 )


O post sobre fornicação rendeu irmãos(ãs),só que ali foi apenas um texto de Paulo aos corintios,respondendo algumas perguntas sobre o assunto.
Na carta aos gálatas Paulo nos traz mais subsídios para refletirmos,e eu creio que esse capítulo nos traz maravilhosas argumentações para padronizarmos essa área tão complicada da nossa vida,que aqui vamos chamá-la de "carnal".

Sabemos muito bem,não apenas pelo texto bíblico,mas pela lógica que existe uma guerra entre a carne e o espírito no cristão,por isso Paulo nos convida a "andarmos no Espirito,que no contexto imediato não são coisas espirituais em contraste com as carnais,mas "ao Espirito".

Comparar a vida cristã com um "andar" é muito comum no Novo Testamento,lembrando que o termo andar nos remete ao comportamento,à ética e ao caráter e claro à uma ação continua e diária.

De acordo com Paulo,quem obedece o seu imperativo (presente),usufruirá(futuro) da vida no Espirito.Se não "desejamos" coisas proibidas( concupiscência,carne,paixão ),certamente temos grandes chances de usufruirmos das coisas do Espirito.

Carne no 17 é diferente de carne no 16,por causa do verbo usado ( epithumeo),ressaltando o lado mais ativo da carne:milita.Mostra a hostilidade que existe,devido o parâmetro radical dos dois adversários,os quais não tem como reconciliar.

Essa guerra tem um objetivo:evitar a prática dos nossos desejos maus,pois o Espírito refrear esses desejos carnais.Porém como a oposição é mútua a carne também quer e pode refrear os desejos bons,porém menos provável,pois a convicção de Paulo mostra que o Espírito é mais poderoso que a carne,assim onde há um conflito a perda de liberdade de ação é inevitável.

Se somos guiados pelo Espirito (submetermos),a Sua atividade é mais eficiente e pessoal.
A distinção aqui não é entre o Espirito e a carne,mas entre o Espirito e a Lei.Se olharmos o contexto imediato,Paulo receava que os gálatas fossem a 2 alternativas:

1. Rejeição ao legalismo que os levasse ao antinomianismo (licenciosidade)

2. O Espírito é antítese tanto da lei como da carne,não estão no mesmo patamar mas em algo em comum:oposição à vida no Espirito.logo as duas não se misturam.

Paulo faz uso da expressão "obras da carne" (19) e antes usava a expressão referindo-se à Lei.(18),refere-se a atitudes ou atos públicos,conforme mostrará na lista à frente,mostrando a diferença entre "obras da carne" e "obras da Lei"(obediência a estatutos).Essas obras são bem conhecidas,pois a libertinagem não se leva em segredo.

A lista inicia por um relativo "hatina",que mostra a intenção de Paulo de uma lista no aspecto qualitativo,que pode esperar mais ou menos a atividade da carne.

Os 3 primeiros estão ligados a sensualidade,devido a predominância e a prática aberta nos dias de Paulo.O ambiente pagão que vivia os gálatas,sendo até aprovados nos ritos da adoração pagã.

PROSTITUIÇÃO( porneia)
Refere-se à impureza 

IMPUREZA ( akatharsia )
Refere-se a impureza moral

LASCÍVIA ( aselgeia )
Significa literalmente "libertinagem",mas aqui ligada à relação sexual.
O aumento desse pecado nos nossos dias nem precisam ser ilustrados.
O movimento chamado "Nova Moralidade" sanciona estes pecados classificados por Paulo como opostos ao Espírito ( como entender os biquinhos nas fotos para redes sociais por homens e mulheres cristãs???)

A ligação entre imoralidade e idolatria na mente de Paulo é simples de explicar,pois a duas estavam ligadas  ao paganismo da época nos cultos pagãos.

IDOLATRIA E FEITIÇARIA ( pharmakeia )
Uso de remédios ou drogas com propósitos mágicos.Naqueles dias a medicina e a magia tinham uma linha divisória muito tênue.Paulo enfrentou algumas vezes a magia (Atos 13)
A idolatria fornecia um substituto inadequado para Deus e a feitiçaria  simulava as obras do Espirito.

As 8 obras da carne que se segue formam um grupo completo de males sociais,numa escala ascendente de intensidade depois do termo geral "inimizades"dando inicio à lista.Quatros palavras descrevem rixas.
INIMIZADES refere-se a hostilidade em geral.
As PORFIAS as mais abertas (altercação)
DISSENÇÕES(dichostasia) significa colocar-se à parte ou formação de grupos separatistas hostis
FACÇÕES seria o espirito partidário,originária da mesma palavra "heresia" (hairesis) ou opiniões conflitantes ( isso acontece no nosso grupo),o que dá a idéias de caos.

As outras 4 palavras sobre "obras da carne" são atitudes mentais,que resultam em ações que envolvem pessoas de uma comunidade:
CIÚMES que é um zelo pervertido
INVEJAS formam um par terrivelmente formidável ( kkkk ),sendo as duas os inimigos mais mortíferos da vida em comunidade.
IRA E DISCÓRDIAS são falhas generalizadas: IRA ( thumoi) descreve crises de ira mais do que uma atitude permanente,DISCÓRDIAS(eritheia),denota ambição,atitude interesseira,uma forma anti-social de orgulho.È como aquele membro que quer todos os rivais e conseguir adeptos sem se importar com os meios utilizados,muito confinada à liderança.

Quatro dos pecados mencionados na lista de oito,ocorre também em 2 Coríntios 12:20,onde também existia esses pecados.

BEBEDICES E GLUTONARIAS 
A lista de paulo termina com pecados de intemperança,que predominavam nas várias formas pagãs de adoração (Romanos 13:3).
Aqui Paulo exorta aos gálatas a não fazerem provisão para a carne para satisfazerem às suas concupiscências formando um paralelo na passagem.assim escrevendo à Timóteo ele exorta que um bispo não pode ter tal qualificação negativa.(1 Timóteo 3:3).

Paulo foi seletivo intencionalmente "e coisas semelhantes a estas",as quais ja havia mencionado em sua estadia na Galaxia com uma advertência severa: " não herdarão o reino de Deus".

Os judeus entenderam mais a exortação já que seus padrões éticos eram mais altos do que dos gentios,assim da um padrão ético para todos : Vida no Espírito.

A palavra "reino" refere-se ao que deveria acontecer no fim da era presente a de Paulo.mas também pode referir-se ao fim da nossa era,como o Senhor referiu-se.Apesar de Paulo não dar muita ênfase ao ensino do "reino" em seus ensinos,ele valorizava em seu pensamento:éticas do reino ( 1 Corintios 6:9-10,Efésios 5:5)

                                           O FRUTO DO ESPÍRITO ( 22-24 )

A mudança de "obras" para "fruto é importante porque remove a ênfase em "nosso esforço"( Quando estudamos a Biblia numa ótica geral e não em textos isolados,vamos descobrindo muitas heresias,como aquela de que o "reino é tomado por esforço",quando quem faz uso da força não são os cristãos mas satanás ).A linguagem figurada é sugestiva para a idéia de crescimento espiritual,em contraste com a deterioração das atividades da carne.

A palavra "fruto" é significativo,pois aparece singular e não plural,pois não são produtos diversos,mas de uma única colheita.

Essas qualidades não podem ser isoladas e tratadas como uma finalidade em si mesma.A metáfora do fruto,muito usada por Jesus,foi incluída em outras ocasiões por Paulo como em Efésios 5:9,vindo logo após a referência ao caráter ético do reino.

Para Paulo há uma  nítida entre "Fruto do Espirito" e "Dons(charismata) do Espirito",mencionados em 1 Coríntios ,onde esses charismas são para tarefas especiais,não sendo compartilhadas por todos igualmente,mas o "fruto" é o produto normal de todo crente guiado pelo Espirito.

Essa lista tal qual a lista das obras da carne é impossível demasiadamente a ordem exata de cada item individual,mas algumas observações podem ser feitas:

. Os três primeiros itens foram colocados numa ordem de importância.
. Os três tratam de qualidades interiores que afetam o "ego"
. Os seis últimos são mais socialmente orientados

AMOR (agape)

Em grego há quatro termos para amor. 
(a) Eros é o amor de um homem a uma mulher; é o amor imbuído de paixão. O termo não se emprega no Novo Testamento.
 (b) Filia é o quente amor para com nossos próximos e familiares; é algo do coração e seus sentimentos. 
(c) Storge significa, antes, afeto, e se aplica particularmente ao amor de pais e filhos. 
(d) Ágape é o termo cristão, e realmente significa benevolência invencível. Significa que nada que alguém possa nos fazer por meio de insultos, injúrias ou humilhações nos forçará a buscar outra coisa senão o maior bem do mesmo. Portanto, é um sentimento tanto da mente como do coração; corresponde tanto à vontade como às emoções. O termo descreve o esforço deliberado — que só podemos realizar com a ajuda de Deus — de não buscar jamais outra coisa senão o melhor, até para aqueles que buscam o pior para nós. 

Poucos disputariam a escolha que Paulo fez do amor como sendo primário,em harmonia com seu grande hino de 1Corintios 13.Ele se encontra no coração do Evangelho.Paulo teve algo a dizer sobre esse assunto tanto no que diz respeito do amor de Cristo para com os homens(2:20) quanto do amor dos próprios seres humanos ( 5:6).O amor cristão difere imensamente 
da noção moderna em que o amor liga-se inextricavelmente à paixão carnal,pois ele segue o padrão de Cristo em relação aos homens.Tanto o amor de Cristo quanto o nosso são produtos do mesmo Espirito.

ALEGRIA( cara ) E PAZ ( eirene )

Na maioria das vezes descreve a alegria que tem sua base na religião e cujo fundamento real é Deus. (cf. Salmo 30:11; Romanos 14:17; 15:13; Filipenses 1:4,25). Não é a alegria que provém de coisas terrenas ou triunfos fúteis; muito menos o que tem sua fonte no triunfo sobre alguém com quem se esteve em rivalidade ou competição. É, antes, a alegria que tem Deus como fundamento

A alegria caracteriza a carta de Paulo aos filipenses,mas também em outras cartas.Na carta aos gálatas só é mencionada aqui.Paulo usa muito a expressão "o Deus de paz",que indica o tipo de paz procurado por ele (1 Corintios 7:15 aplicando-a nos relacionamentos domésticos ).
Essa paz é diferente da noção geral de paz,pois é uma possessão interna que traz serenidade mental,que contrasta com as obras da carne tão caóticas.
No grego coloquial contemporâneo esta palavra (eirene) tem dois usos interessantes. 
. Aplica-se à tranqüilidade e serenidade que goza um país sob o governo justo e benéfico de um bom imperador.
. E se usa para a boa ordem de um povoado ou uma aldeia. Nas aldeias havia um funcionário chamado superintendente da eirene da aldeia; este era o guardião da paz pública. No Novo Testamento o termo eirene ordinariamente representa o hebraico shalom, e não significa simplesmente liberdade de dificuldades, mas sim tudo aquilo que faz o bem supremo do homem. 
Aqui significa essa tranqüila serenidade do coração proveniente da plena consciência de que nosso tempo está nas mãos de Deus. É interessante advertir que tanto cara como eirene chegaram a ser nomes muito comuns na Igreja.

Essas 3 primeiras são completamente desconhecidas e estranhas a atmosfera da carne.

BENIGNIDADE (  crestotes ) E BONDADE ( agathosyne )

São termos muito ligados entre si. Por benignidade é o termo crestotes. Com muita freqüência se traduz também por bondade (Tito 3:4; Romanos 2:4; 2 Coríntios 6:6; Efésios 2:7; Colossenses 3:12; Gálatas 5:22). É um termo positivo. Plutarco diz que é muito mais difundido que a justiça. Um vinho antigo se chama crestos, suave. O jugo de Cristo é crestos (Mateus 11:30), quer dizer, não roça nem incomoda nem mortifica. 
A idéia geral é a de uma amável bondade. O termo que Paulo usa para bondade (agathosyne) é peculiar da Bíblia; não ocorre no grego comum (Romanos 15:14; Efésios 5:9; 2 Tessalonicenses 1:11). É a mais ampla expressão da bondade; define-se como "a virtude equipada para cada momento". Qual é a diferença? A bondade poderia — e pode — reprovar, corrigir e disciplinar; a crestotes só pode ajudar. 
Trench diz que Jesus mostrou agathosyne quando purificou o templo e expulsou os que o transformavam num mercado, mas manifestou crestotes quando foi amável com a mulher pecadora que lhe ungia os pés. 
O cristão necessita de uma bondade que seja ao mesmo tempo amável e enérgica.

Benignidade pode denotar bondade,mas no Novo Testamento sempre significa benignidade.
Bondade pode indicar tanto bondade como benignidade,parecendo não haver tanta distinção entre elas,mas não seria do feitio de Paulo isso,assim bondade é algo mais ativo do que benignidade

FIDELIDADE 
 ("fé"). No grego popular esta palavra é comum para confiança. É a característica do homem digno de confiança.

MANSIDÃO ( praotes )
No Novo Testamento tem três significados principais, 
(a) Significa submisso à vontade de Deus (Mateus 5:5; 11:29; 21:5). 
(b) Significa dócil: o homem que não é muito soberbo para aprender (Tiago 1:21). 
(c) Com maior freqüência significa considerado (1 Coríntios 4:21; 2 Coríntios 10:1; Efésios 4:2).

Aristóteles definiu a praotes como o termo médio entre a ira excessiva e a mansidão excessiva; como a qualidade do homem que está sempre irado mas só no momento devido. O que lança maior luz no significado da palavra é que o adjetivo praus aplica-se a um animal domesticado e criado sob controle; o termo fala do domínio próprio que só Cristo pode dar. Praotes refere-se ao espírito submisso a Deus, dócil em todo o bom e considerado para com seu próximo. 

DOMÍNIO PRÓPRIO ( egkrateia ) "TEMPERANÇA"

Platão a aplica ao domínio próprio. É o espírito que dominou seus desejos e amor ao prazer. Aplica-se à disciplina que os atletas exercem sobre o próprio corpo (1 Coríntios 9:25) e do domínio cristão do sexo (1 Coríntios 7:9). 
No grego corrente aplica-se à virtude de um imperador que jamais permite que seus interesses privados influam no governo do povo. É a virtude que faz ao homem tão dono de si, que é capaz de ser servo de outros. Paulo cria e experimentava por si mesmo a morte do cristão com Cristo e sua ressurreição a uma vida nova e pura em que tinha desaparecido todo o mau, da antiga existência, enquanto todo o amável e belo do espírito tinha alcançado sua fruição.

"E OS QUE SÃO DE CRISTO JESUS "

O nosso novo relacionamento com Cristo,onde a carne foi vencida por uma nova lealdade e um novo senhorio.Há um artigo definido antes "Cristo Jesus",chamando a atenção para o título "o Messias",que seria de relevância específica na discussão de paulo e os judaizantes 




segunda-feira, 8 de junho de 2020

Solteiros e viúvos (1 Corintios 7:8-9 )

                                                SOLTEIROS E VIÚVOS (1 Coríntios 7:8-9) 


Após firmar o "princípio" Paulo começa a tratar de classes específicas:

Começa com quem está preso à laços matrimoniais,sejam solteiros: agamois (não casados),sejam viúvos,que passam a tentação de se casarem novamente,ao que Pulo recomenda que fiquem como estão,mas isso depende de terem o dom da continência,se não tem que se casem,sendo isso uma ordem e não uma permissão.

Não há significado no celibato estando abrasado ( desejos sexuais).A supressão do desejo sexual não é meritória.

                                      CASADOS ( 1 Coríntios 7:10-11 )

Aos casados Paulo dá uma ordem autorizada ( parangello),e mostra que não é uma ordem pessoal,mas é o Senhor quem ordena (Mateus 19:6),focando quando os cônjuges são cristãos:  que não se separem(divórcio),mas há uma cláusula sobre a possibilidade: não se case ou reconcilia com o marido(esposa)(Mateus 5:32,19:9),lembrando que o assunto aqui não é divórcio mas respostas à  perguntas específicas.

                                      CASADO COM UM(A) IMPIO ( 7:12-14 )

Claro que para solucionar uma questão complexa sobre a conduta cristã Paulo poderia ter usado o nome de Cristo,pois ele conclui o capítulo afirmando que ele tinha o Espirito Santo,mas paulo não se sentiu confortável em usar,mesmo que no verso 10 pudera citar um mandamento de Cristo.
A situação aqui é do matrimonio com ímpios,acontecido antes da conversão,onde ele considera a união pagã numa base diferente da de cristãos.

Aqui ele deixa claro que atitude depende do pagão: se o cônjuge ímpio consente ( suneudokei) em manter o casamento o cristão não deve divorciar-se

Paulo mostra uma situação interessante "os crentes são santos" ou seja foram separados para Deus (1:2),onde a idéia é a relação com Deus,não a de retidão moral,onde esse estado não o enfraquece por estar casado com uma ímpia,pois o bem prevalece contra o mal e sua santificação (separado) abriga sua esposa.

O que isso significa é complicado de explicar,mas é certo que as bençãos recebidas de Deus se estende a outros ( Gênesis 15:18,17:7,18:26,1 reis 15:4,Isaias 37:4),reforça estendendo isso até os filhos,se não o fosse isso tornaria os filhos impuros ( enquanto não tiverem idade)

            CASADO COM UMA ÍMPIA E ELA NÃO QUER VIVER COM ELE(1 Coríntios 7:15-16)

Essa situação é diferente quando o ímpio não quer continuar casado :"aparte-se"( está na voz média),mesmo verbo usado nos versos 10,11.Se parte do ímpio separar ela não está sujeita à escravidão,ou seja esta livre para casar,seguindo a linha que conduza à paz.
Casamento não é instrumento de evangelização

casamento 1 Corintios 7:1-40

                                                       CASAMENTO ( 1 Coríntios 7:1-40 )

PRINCÍPIO

Nesta seção,Paulo volta-se para assuntos específicos sobre os quais os coríntios tinham escrito.

O primeiro é sobre "casamento"

Para avaliar o que Paulo diz,é necessário ter em mente a situação.
Havia na antiguidade uma generalizada admiração por práticas ascéticas,isso incluia o celibato,e alguns dos coríntios partilhavam dessa admiração.Paulo concorda que o celibato é bom e até expõe umas vantagens,mas considera o casamento algo normal na vida do homem,onde o homem se completa mais,pois o celibato na ótica paulina é um dom(uma capacidade especial de Deus).
Em Corinto o baixo padrão da moralidade sexual pagã é relembrada por ele.(26,29,30)e isso não combinava com o celibato,apesar dele o preferir,jamais o considera superior ao casamento,e apenas alguns aos quais Deus concedeu o dom devem permanecer solteiros.

Quando Paulo diz "é bom",ele não está dizendo "necessário ou moralmente melhor",que o homem não toque em mulher ( tocar aqui é casar).O conceito de Paulo é que os solteiros estão livres para servir o Senhor sem preocupações subordinadas ao estado de casado (32),mas isso não implica que o estado de casado não seja bom.

A regra é que os homens se casem.Celibato é bom mas a tentação é farta,é inevitável.A solução é que cada um se case,pois a fornicação (como já postamos) era uma prática reinante em Corinto.( a palavra aparece no plural,logo havia muitas práticas imorais).Paulo não está expondo seu conceito do estado dos casados ( Efésios 5:28),mas trazendo luz à uma situação histórica.

Segundo Calvino,a questão  quanto às razões pelas quais o casamento foi instituído,mas às pessoas às quais ele é necessário.

Paulo mostra que o casamento tem suas obrigações,pois cada parceiro tem seus direitos:ten opheilen não é a "devida benevolência",mas "débito"( o que lhe é devido),ou seja cada um deve obrigações ao outro,colocando um ao lado do outro como um dever habitual.

Paulo torna isso mais explícito : ouk exousiazei "não tem poder" ou autoridade (Lucas 22:25)nem as esposas e nem os esposos tem o direito de usar seus corpos como queiram,mas obrigações um para com o outro.

Abster-se sexualmente pode ocorrer mas por pouco tempo para se entregarem à oração ou jejum,mas isso não é uma regra,que ele pode chamar até de "fraude"caso seja uma regra normal. ( " não vos defraudeis" ) e mesmo a oração sendo básica para casados tem que ser por mútuo consentimento,pois pode dar lugar ao diabo.

FORNICAÇÃO

                                                               FORNICAÇÃO ( 1 Coríntios 6:12-20  )


Dos processos legais, Paulo volta-se para o relaxamento sexual 
No capítulo 5 ele fala de um caso de incesto,e agora trata do princípio geral,fazendo isso em 2 estágios :

a) 12-14,mostrando que a vida corporal é determinada pelo que Deus fez por ele
  
b) 15-20 aplica isto ao mal específico do pecado sexual.

Ele começa no primeiro estágio falando da liberdade cristã,repetido em 10:23 "Todas as coisas me são lícitas ".
O modo como apresenta dá a impressão que os coríntios usavam a máxima para justificar sua conduta,tirado do ensino de Paulo quando estivera com eles,o que parece que Paulo aceita.
Para Paulo,as regras de outras religiões não cabiam no cristianismo,claro que o cristão evitará coisas más e vãs,mas sem obtenção da salvação,que depende unicamente do que Cristo fez.

Isso não quer dizer que o cristão deve estar desatento às questões morais: "nem todas convém"( são úteis ou aconselháveis).Há coisas que não são proibidas,porém devido os resultados requerem que sejam rejeitadas .

Paulo ainda mostra uma segunda razão: "não me deixarei dominar por nenhuma delas",ou seja um cristão não pode se colocar,agora livre como escravo de nada.

Comer é uma função natural,e os conrintios queriam dar a entender que esta era igual à outras,isso referindo-se à fornicação,ao que Paulo repudia dicididamente,pois o estômago e o alimento são transitórios ( 1:28),mas o corpo não está destinado a ser destruído,pois segundo Filipenses 3:21 haverá uma transformação e uma glorificação deste.

Não há conexão entre entre corpo e desejos como ha entre alimentos e estômago.

Deus não destinou o corpo para a fornicação como destinou o corpo para os alimentos.O corpo é para o Senhor,instrumento em que o homem serve a Deus,logo assim corpo o alimento é para o estômago,o corpo é para o Senhor e não para a fornicação.

O pensamento da ressurreição dominava o cristão primitivo,pois a ressurreição de Cristo mostra a dignidade do corpo com valores permanentes.A ressurreição não permite avaliarmos o corpo de maneira leviana,ela mostra a importância da corpo,"se ele vai ressuscitar não deve ser menosprezado" como se houvesse de ser destruído.

Como já fez 3 vezes no capítulo 6 Paulo usa novamente a fórmula "não sabeis",para chamar a atenção em um assunto de conhecimento geral: "mete"=membros,palavra usada par "partes do corpo"(Romanos 6:13),e nós como membros do corpo de Cristo( 12:12.Efésios 5:23) e isso torna a prática sexual viciosa odiosa,chegando a afirmar que a prática desse pecado "leva um membro embora"(airo),no sentido de serem retirados do seu lugar apropriado.São tornados "membros de uma meretriz",usurpados do seu idôneo Senhor.

Para Paulo a união sexual é tão íntima que faz dos 2 corpos 1 só ( alguns membros se indignaram de uma postagem sobre "vínculos de alma",então deveriam se indignar com Paulo,pois é assim que ele pensa)(16),havendo uma horrível profanação daquilo que deve ser usado apenas para Cristo.

Elevai apelando que isso é de conhecimento geral,de que a natureza do ato sexual não era opinião privada,mas bem conhecida pelos coríntios ( Gênesis 2:24 ),onde a expressão "uma só carne" é o ato sexual,logo quem se une a prostituta "torna-se um com ela".

A palavra "kollomenos"(se une) fala de vínculos estreitos de vários tipos,ou um processo de colagem,laço bem apertado.No anterior ele visava um vínculo físico,mas aqui uma faceta espiritual "um corpo",com o Senhor "um espirito" (2:16 mente de Cristo).Assim ele exorta para o cristão fuja da impureza:"fazer disso um hábito",sendo o único modo de tratar da fornicação,fugindo até do pensamento de fornicação,pois esse pecado fere a constituição essencial do homem.

Esse não é o pior pecado do mundo,mas a relação dele com o corpo é única (bebedice ,glutonaria,também são pecados contra o corpo) mas não como a fornicação,que surge de dentro do corpo,usado em excesso,diferente da lascívia por exemplo.

Godet considera esse pecado uma degradante solidariedade física e incompatível com com a solidariedade espiritual do cristão com Cristo.
Paulo vê esse pecado uma ofensa conra a sua própria personalidade,tanto que ele não usa "hamartia" mas "hamartema" colocando ênfase no resultado.

Paulo persiste em usar "não sabeis" (6 x neste capítulo),aqui ao corpo,afirmando que o mesmo é o santuário,recinto sagrado,lugar de dignidade do espírito Santo.

Onde nós vamos somos portadores do Espírito Santo,templos onde Deus aprouve habitar  ( tabernacular)(lugar onde a glória de Deus manifesta),assim nada que seja inconveniente no templo é decente.

O templo é o lugar  onde Deus habita,mas o ser que habita neste templo é o Espírito,sendo esse habitar um dom divino e não um merecimento,logo esse templo pertence a Deus,assim não pode fazer o que quer como se fosse dele.

A razão de tal exortação é uma só:"fomos comprados por preço",como o verbo está no aoristo,indica um ato só,uma decisão só no passado: no Calvário.
"Somos livres ( todas as coisas me são lícitas),mas somos escravos (pertencemos a Ele),assim nossa obrigação é glorificar a Deus.

A partícula "de" indica urgência (agora mesmo)