domingo, 7 de julho de 2019

profecia

PROFECIA: [12]Anderson de O. Lima sugere em seu artigo “Defesa apocalíptica de Paulo” a leitura de Amós 3.9-12, texto do século VIII a.C., tipicamente profético. O profeta convida nações pagãs, geralmente vistas como epítomes do pecado, para subir nos montes de Samaria e assistir de camarote às injustiças que há na cidade, então capital do Reino do Norte, Israel. Por fim, o profeta prevê a invasão assíria, a destruição da nação e da injustiça dela. Segundo ele tense então, a partir desse exemplo, algumas características da profecia para enumerar:
1. A profecia é local, não prioriza em sua fala o mundo ou o universo inteiro, antes, sua preocupação é a nação ou no máximo países vizinhos;
2. A profecia nasce da oralidade, e o profeta anuncia as visões e oráculo oralmente ao povo. Se, temos profecia escrita, é porque depois alguém, comovido pela mensagem, a registrou por escrito, mas profetas não eram escritos a princípio;
3. A preocupação da profecia é principalmente social, isto é, lida com a pobreza, com a violência, com a injustiça, e com base no caráter de Deus, que é justo, prevê uma ação divina para alterar o rumo dos acontecimentos e punir os culpados;
4. A profecia típica é um fenômeno religioso principalmente pré-exílico, e que sofreu transformações com o tempo e a partir do século VI vemos nela cada vez mais a presença de elementos apocalípticos, o que pode ser considerado uma evolução da profecia.
            O relato lucano da chamada de Saulo tem sido frequentemente comparado com o chamado dos profetas do antigo testamento, por exemplo: (1 Rs-22:19), (Is-6:1-10), (Ez-1, 2:1-3), (Jr-1:4-10), más é importante também levar em conta uma diferença, no antigo testamento as histórias de chamada são apresentadas como uma comissão para uma missão especial, não como uma chamada à mudança de vida. Dos chamados proféticos analisaremos o de Ezequiel por ser o que mais se assemelha ao nosso objeto de estudo. No livro do profeta Ezequiel (1:1) o profeta diz ter tido visões da glória de Deus, nas outras visões da glória, é o templo, essa casa terrestre, que serve de quadro para o encontro do Senhor. Agora é no céu que, a visão aparece a Ezequiel, visto que ele se encontra na Babilônia. Essas indicações topográficas dão todo o sentido da mensagem ezequielana: longe do santuário de Jerusalém, os deportados não estão, a despeito do que se pensa (11:15), longe do Senhor; porque do alto do seu palácio celeste ele reina sobre toda a terra;  portanto, está próximo de seu povo disperso entre as nações. Ezequiel designa por glória o ser divino enquanto se revela; é a manifestação do poder, da santidade de Deus, perceptíveis através dos sinais: fenômenos cósmicos (tormenta 1:4), símbolos litúrgicos. Contudo a representação ezequielana apresenta certas particularidades: a glória tornou-se imediatamente visível, pelo menos aos olhos do profeta, numa explosão de luz; além disso, ela tem uma aparência bastante semelhante à forma humana; por fim, aparece como realidade autônoma, quase hipostasiada: sai do templo, se posta acima da colina próxima, retorna a ou santuário. Por outro lado, Ezequiel busca suavizar a novidade e a audácia de tais expressões por formulas de aproximação: “Como: à semelhança de” etc. Mas ele busca, sobretudo, aproximar os dados dificilmente consiliáveis que são: o sentido da transcendência e a afirmação da proximidade de Deus; a convicção da presença divina e a certeza de que a glória não pode ser atingida pela iminente ruína da Jerusalém infiel.
            Filho do homem muito freqüente em Ezequiel, que utiliza várias vezes esta expressão marca especificamente neste capítulo 2, que prolonga a grande visão do inicio - um contraste sugestivo; diante da glória do Senhor, cuja grandeza parece quase terrificante (1:28), Ezequiel não passa de um ínfimo filho de homem (1:3), incapaz até mesmo de ficar de pé. Depois de cair com o rosto em terra, Deus fala com o profeta e diz que o está enviando. Depois Ezequiel vai para Tel-Abib que signinifica “colina da espiga”. Com alguns manuscritos hebraicos pode-se também traduzir: “morei lá, sete dias, no meio deles, desconcertante.
            Agora vejamos o que aconteceu com Saulo, um facho de luz do céu o envolve com seu brilho, ou seja, como Ezequiel Saulo vê a glória de Deus. Ele cai por terra como Ezequiel e ouve uma voz que o chamando pelo nome, o grego transcreve no (v.4) e (v.17), o mais exatamente possível, a pronúncia semítica do nome de Saulo, “Saul”. “Eu sou Jesus”, o Eu Sou é aqui como em outras passagens (Lc-21:8; 22:70; 24:39; Jo-6:20,35), uma fórmula de revelação. Na revelação de Cristo ressurreto para Saulo, fica claro que na pessoa de seus discípulos quem é perseguido é o Senhor Jesus. Jesus fala para Saulo que o enviará assemelhando mais uma vez sua chamada ao do profeta. Mas Paulo levantasse cego, pois há um preço a ser pago por ver a glória de Deus, Ezequiel fica sete dias atônito, atordoado ou desconcertante, Jacó ao ter um encontro com Deus no vau do Iaboq fica manco (Gn-32:26).
            [13]APOCALÍPTICA: Agora podemos seguir para a apocalíptica, cujo principal exemplo continua sendo o livro do Apocalipse de João, o último livro do Novo Testamento e o texto que deu nome ao gênero. [14] Esse gênero da literatura judaica existiu por vários séculos, e muitos dos textos apocalípticos são datados do chamado “período interbíblico”. Mas a apocalíptica continuou produzindo textos como o nosso Apocalipse de João e outros até o século III d.C. Porém, sugiro a leitura de um texto dos primórdios, que é apocalíptico, mas que também permanece próximo da profecia. Trata-se de Isaías 24.1-3. Após lê-lo, veja as características da apocalíptica conforme assinalamos abaixo:
1. A apocalíptica é mais textual que oral, os apocalípticos já escreviam suas visões e não as divulgavam oralmente como os profetas, embora eles mesmos ainda pudessem se considerar profetas;
2. A apocalíptica costuma apresentar viagens celestiais que os visionários têm em momentos de êxtase. Ou seja, são revelações inconscientes de coisas celestiais;
3. A apocalíptica é universal, e não local. Quando Deus intervém apocalipticamente na história, não muda uma nação, não troca um governo, mas acaba com a terra e todos os seus moradores, sejam eles bons ou maus. Astros são abalados, os elementos se misturam e nesse caos não há como escapar;
4. A apocalíptica apresenta-se em linguagem simbólica, velada. Há sempre uma espécie de “segredo apocalíptico” que não pode ser revelado, algo visto ou ouvido que não é permitido repetir (Dn 12.4; Ap 10.4). As bestas, mulheres, seres de várias cabeças e chifres, números secretos, são símbolos que já ocultam o significado real da mensagem;
5. A apocalíptica é pessimista com relação à restauração desse mundo. Enquanto o profeta espera a restauração política de sua nação, o apocalíptico só vê melhorias se o mundo acabar. A nova criação é assim, a sua esperança;
6. A apocalíptica é quase sempre “pseudonímica”. Isso significa que os visionários não revelam suas identidades em seus escritos, antes, costumam atribuir as viagens celestiais a outros personagens como Enoque, Pedro, Moisés, Daniel...;
7. A apocalíptica costuma apresentar uma revelação progressiva, gradual. No céu, o visionário visita vários estágios, vários templos, vários céus, vários selos, trombetas ou taças... [8] Em Divina Comédia o poeta italiano da Idade Média, Dante Alighieri, criou uma viagem celestial em que visitou inferno, purgatório e céu, demonstrando que compreendeu essa característica progressiva da apocalíptica judaica. Geralmente, só no estágio mais elevado o visionário vislumbra a glória de Deus;
8. A apocalíptica costuma contrapor a magnitude da revelação à fraqueza do visionário. Veja Ezequiel 1.28, Daniel 8.26-27 e Apocalipse 1.17, onde os visionários perdem as forças por terem vislumbrado coisas santas demais. Assim, podemos dizer quem em geral, na apocalíptica judaica quem recebe grandes revelações sofre como consequência a fraqueza física.
            Paulo não nasceu no tempo da profecia, mas no tempo da apocalíptica. Por isso, no momento em que ele decidiu relatar sua experiência religiosa, escolheu a linguagem apocalíptica, própria de seu tempo e lugar. É isso o que veremos a seguir, lendo 2coríntios 12.1-10.
2 Co-12:1-10
“(1) Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. (2) Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu. (3) E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) (4) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras indizíveis, de que ao homem não é lícito falar. (5) De um assim me gloriarei eu, mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. (6) Porque, se quiser gloriar-me, não serei néscio, porque direi a verdade; mas deixo isso, para que ninguém cuide de mim mais do que em mim vê ou de mim ouve. (7) E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um anjo de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. (8) Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim. (9) E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. (10) Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte”
            Como nos foi proposto fazer uma analise comparativa entre 2co-12:1-10 e At-9:1-35, tive por necessidade escrever todo o texto para comparar seus aspectos e suas ligações.
            Jesus deixou em Jerusalém, um pequeno grupo formado por doze homens, ou seja, seus doze apóstolos e mais alguns que aderiram ao movimento que creram nas pregações de Jesus. Em suma, são estes homens vêem ser crucificado, testificaram sua ressurreição e ficaram em Jerusalém a espera da promessa (Lc-4:49), e esperando volta de Jesus que para eles não demoraria. Fora desse círculo mais íntimo, Jesus deixou na galiléia e nas aldeias por onde ensinou centenas de simpatizantes, que não se tornaram seus seguidores itinerantes, más que também creram em sua mensagem original e deram segmento a ele após sua morte nas regiões da Galiléia. Paulo não fazia parte desse grupo, aparece entre os novos adeptos de Jesus menos de dez anos após sua morte, e logo passa a pregar e implantar outras comunidades independentes daquelas dos apóstolos originais, formando uma linha independente dessa igreja primitiva, que em muitos aspectos era oposta às demais. Sem ter vivido a experiência de conhecer e seguir Jesus, e sem inspirar-se no ensino dos doze, Paulo pregou o Jesus que ele conhecera através de uma experiência religiosa particular, quando o Filho de Deus veio ao seu encontro em sua forma glorificada.
            [15]Segundo Anderson de O. Lima, em (2Co-12:1-10) Paulo faz uma defesa do seu apostolado. Um dos grandes problemas enfrentado por Paulo girava em torno de sua autoridade apostólica, que autoridade tinha ele para pregar e instituir igrejas independentes entre os gentios? Com que direito ele dizia ser apóstolo? Não deveriam tais comunidades paulinas procurar seguir aquilo que os doze ensinavam após o primeiro contato com Jesus? Entender esse conflito e o posicionamento de Paulo é fundamental para compreender o texto de 2coríntios e também as demais cartas autenticamente paulinas.
            Em Atos dos Apóstolos 1.21-22 temos os critérios de Lucas para a escolha de um apóstolo. Narra-se a escolha de Matias para substituir Judas, e em resumo, os critérios para se tornar apóstolos são:
            Só deveria haver doze apóstolos. Era necessário substituir Judas, recompor o grupo dos doze, mas também não deveriam ter mais do que isso. Aqui os apóstolos são os líderes da igreja, e o número doze talvez fosse para Lucas importante, simbolizando os patriarcas e as tribos do Antigo Testamento. Assim, toda a nação estaria representada nos doze, e ninguém poderia ser apóstolo fora desse grupo fechado de Jerusalém.
            Segundo os critérios de Lucas, só podia ser apóstolo alguém que vivera com Jesus e os demais apóstolos desde o começo do ministério de Jesus. Assim, vemos que no livro de Atos, que tanta ênfase dá à trajetória de Paulo, o seu título apostólico não era reconhecido. Paulo não viu Jesus, podia ser pregador, missionário, mas nunca um apóstolo. O objetivo do apostolado em Atos é testemunhar a respeito da ressurreição de Jesus. Eles não eram necessariamente missionários, enviados como sugere a palavra “apóstolo”. Por isso tinham que conhecer o Jesus humano e o Jesus glorificado, para que seu testemunho de que ele morreu e ressurgiu fosse digno de confiança. Outra vez, Paulo está desqualificado. Algumas características que impediam Paulo de ser um apóstolo:
1. Paulo nunca viu Jesus nem andou com os doze apóstolos, e isso desqualifica sua pregação que é indireta e o impede de ser um apóstolo autorizado na opinião de alguns;
2. Paulo fora fariseu e perseguidor da igreja, seu passado condenável preocupava parte dos cristãos primitivos;
3. Paulo prega uma fé separada do judaísmo que os apóstolos e até Jesus seguiram, e isso é um nítido afastamento das origens do movimento;
4. Paulo cria divisão nas sinagogas ao atrair os simpatizantes gentios, e como seu trabalho causa tanta discórdia, talvez não seja um trabalho benéfico.
            Em (2 Co-12:1-10) é nítido a presença de pregadores judeus denominados por Paulo de” superapóstolos”. Ao que parece Paulo para se defender, precisou “gloriar-se” e teve que apelar para revelações transcendentais a fim de que não ficasse atrás desses oponentes. (2 Co-12:1-10) [16]é então um relato de viagem celestial extática que Paulo faz em estilo apocalíptico para provar que não deve nada aos seus rivais competidores quanto as experiências sobrenaturais.
            Para aquilo que me foi proposto para este trabalho com relação à ligação de (At-9:1-9) com (2 Co-12:1-10), minha hipótese é que Paulo está contando sua experiência de conversão, neste caso teríamos a narração direta de quem viveu a experiência, e agora a relata com riqueza de detalhes, sabemos que a referência cronológica citada por Paulo “há catorze anos” não liga cronologicamente o episódio de Atos com o de 2 Co:12. Segundo[17]Helmut Koester, Paulo se convertera em 35 d.C., e o texto de 2coríntios 12 deve ser datado em 54 d.C. Consequentemente faltam alguns anos para que liguemos a conversão de Paulo à carta.
            Saulo distingue bem o acontecimento do caminho de Damasco, aparição do Ressuscitado, (1 Co-9:1; e 15:8) das revelações que teve depois (At-16:9; 18:9; 23:11). Por isso defendo minha hipótese de Saulo está relatando sua experiência de conversão, pois ele não citaria algo que ocorreu há catorze anos se isso não tivesse sido algo que marcara sua vida.    

sábado, 6 de julho de 2019

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

                                               TESTEMUNHAS DE JEOVÁ


Na história do Cristianismo, sabemos que nunca houve um pleno consenso doutrinário entre os intérpretes da Bíblia. Das diferentes interpretações surgiram cismas e novos grupos religiosos professando a mesma fé em Jesus, e na maioria dos casos os integrantes de cada movimento religioso recebiam uns aos outros como irmãos em Cristo.

 Mais especificamente no Século XIX, surgiram homens, inconformados com as doutrinas centrais do Cristianismo, como a Trindade, a Imortalidade da Alma e das Penas Eternas, e ao mesmo tempo decepcionados com o liberalismo religioso apregoado por teólogos que não criam na Bíblia como a inteira Palavra de Deus. 

Tais homens, rejeitando seus antigos movimentos religiosos, ou suas anteriores igrejas cristãs, iniciaram novos movimentos partindo do pressuposto de que após a morte de João, o último apóstolo de Jesus a falecer, teria surgido uma grande apostasia que ou fez o Cristianismo desaparecer ou o tornou difícil de ser identificado. 

Assim, criaram o mito do ressurgimento do Cristianismo Verdadeiro a partir do novo grupo com as crenças por eles criadas ou trazidas de volta dos idos em que elas foram consideradas como heresias pela Igreja Cristã. 

Foi neste contexto e com essa motivação que Charles Taze Russell deu origem ao movimento Estudantes Internacionais da Bíblia, desde 1931 conhecido como Testemunhas de Jeová. Conforme narra a uma das obras mais conhecidas desta organização, Russell pretendeu reunir todas as verdades bíblicas espalhadas pelas religiões numa única religião.

Na verdade, os Testemunhas de Jeová surgiram em 1870,Charles Taze Russell,  era um garoto de dezoito anos,Ele jamais havia estudado teologia. Depois de se associar com ex-adventistas, organizou um grupo, e por várias vezes mudaram de nome: Estudantes da Bíblia, Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, Estudantes da Bíblia Associados . 

Mais oficialmente, se chamavam Estudantes Internacionais da Bíblia, e só em 1931, sob o comando de Joseph Franklin Rutherford, o segundo presidente mundial da seita, esse grupo passaria a se chamar Testemunhas de Jeová. Como pode, então, uma organização religiosa ser a única religião verdadeira se passou a existir apenas em 1870, e com vários nomes que precisaram ser trocados várias vezes, para só em 1931 adotarem o nome que usam até hoje.

 Reivindicou Russell todo o mérito de ter desvendado essas gemas da verdade. Russell explicou:

“Descobrimos que por séculos várias seitas e grupos dividiram entre si as doutrinas da Bíblia, misturando-as, em grau maior ou menor, com especulação e erro humano . . . Descobrimos que a importante doutrina da justificação pela fé e não pelas obras fora claramente enunciada por Lutero e mais recentemente por muitos cristãos; que a justiça, o poder e a sabedoria divina foram cuidadosamente preservados pelos presbiterianos, embora não discernidos claramente; que os metodistas apreciaram e louvaram o amor e a compaixão de Deus; que os adventistas prezaram a doutrina sobre a volta do Senhor; que os batistas, entre outros pontos, sustentaram corretamente a doutrina do batismo em sentido simbólico, embora tivessem perdido de vista o verdadeiro batismo; que, fazia tempo, alguns universalistas sustentavam vagamente alguns pensamentos relativos à ‘restauração’

Ele explicou: 

“Nosso trabalho . . . tem sido de ajuntar estes fragmentos da verdade há muito espalhados e apresentá-los ao povo do Senhor — não como novos, não como nossos, mas como do Senhor. . . . Precisamos rejeitar qualquer mérito até mesmo de termos encontrado e reagrupado as joias da verdade.”

A ideia de reunir as supostas verdades espalhadas entre as seitas e igrejas e apresentá-las ao Senhor, conforme Russell afirma, resultou em que aquele grupo se achasse detentor da única doutrina verdadeira. Quem determinava as doutrinas do movimento a serem cridas pelos adeptos era Russell, e mais tarde sua equipe de editores. Tais doutrinas eram publicadas em livros e revistas.

Com o tempo, os líderes das Testemunhas de Jeová responsáveis por suas doutrinas e interpretações bíblicas passaram a ser chamados de Corpo Governante. Até a data presente, outubro de 2018, o Corpo Governante é composto por oito pessoas.

O Corpo Governante e suas interpretações da Bíblia, todas as Testemunhas de Jeová compactuam a crença de que sua organização religiosa é a  única religião verdadeira. Quais são as supostas bases bíblicas para tal interpretação? Será que elas resistem a uma interpretação exegética quando procura ser fundamentada em textos bíblicos?

Para a Igreja Cristã Protestante-Evangélica, poder-se-ia admitir haver uma única religião verdadeira, mas esta não se trata de uma denominação cristã. No Novo Testamento, onde lemos a origem e o desenvolvimento da Igreja Cristã desde o Pentecostes de Atos Capítulo 2, nada se diz sobre um nome de Religião a ser reconhecida como a verdadeira, mas apenas suas credenciais. Conforme explicou Stott:

O que distingue o verdadeiro seguidor de Jesus não é o credo, nem o código de ética, nem as cerimônias, nem a cultura, mas Cristo. O que, com frequência, equivocadamente se chama de “cristianismo” não é, em essência, uma religião nem um sistema, mas uma pessoa: Jesus de Nazaré.”

O Cristianismo verdadeiro, portanto, é Cristo, pois ele é, segundo a Bíblia, em 1 Pedro 2:21, o padrão ou “exemplo, para que sigais os seus passos”.A verdadeira religião tem a ver com o seguir as pisadas de Cristo e imitá-lo, conforme o Apóstolo Paulo escreveu em 1 Coríntios 11:1 e Efésios 5:1 admoestações para os cristãos imitarem a Paulo como ele imitava a Cristo e imitarem o próprio Deus.

O Corpo Governante tenta induzir seu leitor a concluir que a Bíblia não ensina as doutrinas da:

 Trindade e da Imortalidade da alma e que, por isso, as denominações que creem assim não fazem parte da religião verdadeira. 

Todavia, a Bíblia ensina que o Pai é Deus (1 Coríntios 8:5, 6), o Filho é Deus (João 1:1; 20:28), o Espírito Santo é Deus (Atos 5:3, 4; 2 Coríntios 3:17), mas Deus é um só. (João 17:3) Destes textos, a Igreja Cristã oficialmente ensina este Dogma desde o século IV, no Concílio de Nicéia, em 325. 

E quanto à imortalidade da alma, quando ela é sinônimo de “espírito” na Bíblia, fala-se das almas dos mártires cristãos, “mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram” clamarem por justiça debaixo do altar. (Apocalipse 6:9, 10)  Assim, como almas salvas, estão vivas após a morte, mas não ressuscitadas ainda, visto que na escatologia do livro de Apocalipse a ressurreição dos salvos é descrita nos capítulos finais. Com essas bases bíblicas, podemos afirmar com certeza que crer nas doutrinas da Trindade e da imortalidade da alma não torna uma denominação cristã errônea.

Mas visto que as Testemunhas de Jeová possuem um Corpo Governante que muda de ensinos constantemente, poderíamos perguntar a elas: “Onde na Bíblia se ensina as crenças que o Corpo Governante já abandonou? Se ensinar o que não está na Bíblia torna o grupo uma religião falsa, então que tipo de religião são as Testemunhas de Jeová quando já ensinaram interpretações não bíblicas?

Um segundo requisito adotado pelo Corpo Governante para identificar a sua própria religião como a única verdadeira: 

“Considere se ela torna conhecido o nome de Deus”. 

Jesus disse em oração a Deus: “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo.” (João 17:6) Ele declarou: “É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.” (Mat. 4:10) Será que a sua religião lhe ensinou que ‘é a Jeová que tem de adorar’? Chegou a conhecer a Pessoa identificada por esse nome — seus propósitos, suas atividades, suas qualidades — de modo a sentir que confiantemente pode aproximar-se dele?

Com este argumento, o Corpo Governante pretende ensinar que apenas as Testemunhas de Jeová usam o nome Jeová porque Jesus manifestava o nome de Deus. Mas Deus permitiu que a pronúncia do nome divino em hebraico fosse perdida, sendo que a pronúncia “Jeová”, conforme o Dicionário Bíblico Wycliffe, surgiu da seguinte forma:

“Nos séculos VI e VII d.C., os estudantes judeus massoréticos combinaram as vogais de Adonai com as consoantes YHWH para lembrar o leitor da sinagoga de que deveria pronunciar o nome como Adonai. Mas aquelas consoantes e vogais formam o nome Jeová, uma forma atestada pela primeira vez por volta do ano 1220 d.C. [...] Yahweh era, sem dúvida, a pronúncia aproximada do tetragrama, da palavra de quatro letras YHWH, uma vez que foram encontradas transliterações para o grego na antiga literatura cristã, na forma de iaoué (Clemente de Alexandria) e iabé (Teodoreto),  pronunciada “iavé”. A palavra é uma variação conectada com o verbo haya, “ser”, de uma forma mais antiga hawa.”

Perguntamos às Testemunhas de Jeová e ao seu Corpo Governante: Por que Deus teria permitido que a pronúncia do nome YHWH fosse perdida há muito se um dos requisitos para identificar a religião verdadeira seria a pronúncia de tal nome, mesmo admitindo-se que Jesus tivesse usado a pronúncia correta do tetragrama? Não seria porque Deus pretendia que o nome Jesus estivesse acima de todo nome, conforme Filipenses 2:9-11? 

“Demonstra amor”: 

Os verdadeiros adoradores “não fazem parte do mundo”, não são divididos por raça ou cultura e demonstram ‘amor entre si’. (João 13:35; 17:16; Atos 10:34, 35) Em vez de matar uns aos outros, estão dispostos a morrer uns pelos outros. — 1 João 3:16.”

Aqui o Corpo Governante procura incutir na mente de seus seguidores que o fato de as Testemunhas de Jeová não participar de guerras nem se tornar policiais, então estão livres de matar o próximo. Estariam até mesmo dispostas a morrer pelos outros. Sendo assim, não fazem parte do mundo e, por isso, são a única religião verdadeira. Todavia, Menezes aponta o problema deste ponto de vista com bons argumentos de que não constitui falta de amor participar de um serviço militar ou ir às guerras, quando afirma que “para manter a própria sobrevivência, a nação de Israel tinha seu exército. O próprio Jeová é chamado ‘pessoa varonil de guerra’ (Êxodo 15.3. ) Em Josué 10.14 , lemos que o “próprio Jeová lutava por Israel”. 

“Está realmente separada do mundo?”

Não se pode negar que na política deste mundo muitos da Igreja Cristã se prostituíram com a corrupção. Todavia, será que a Bíblia proíbe a participação na política, como algo que mancharia o cristão, mesmo ele sendo íntegro? A resposta é não! Deus usou seus servos para ocuparem cargos políticos importantes. Por exemplo, considere o exemplo de José, feito Governador do Egito, conforme os relatos de Gênesis Capítulos 40 e 41. Sobre ele, Halley e Unger comentam respectivamente:

“José casou-se com uma filha do sacerdote de Om. Apesar de ter uma esposa pagã e de governar um reino pagão, manteve a fé que sempre teve, desde a infância, no Deus de seus pais, Abraão, Isaque é Jacó.”

Também, considere o caso de Daniel. Nabucodonosor reconheceu o Deus de Daniel como “Deus dos deuses e Senhor dos reis, e o revelador dos mistérios”, pois Daniel havia interpretado o sonho dele. O resultado foi que Nabucodonosor “o pôs por governador de toda a província de Babilônia, e também o fez chefe principal de todos os sábios da Babilônia”. E sem contar que Daniel pediu que seu amigos Sadraque, Mesaque e Abdenego ocupassem o cargo de “superintendentes dos negócios da Província da Babilônia, mas Daniel permaneceu na corte real.” (Daniel 2:46-49) 33 Será que Daniel e seus amigos fizeram parte do mundo por ocuparem este cargo político? Com certeza, não, pois nada na Bíblia indica isso.

Mas e no Novo Testamento, será que há base bíblica para um cristão participar da política? Partindo do fato de que os políticos são autoridades, o apóstolo Paulo escreve que “todos devem sujeitar-se às autoridades do governo, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram ordenadas por ele.” (Romanos 13:1)34 Portanto, o arranjo político de toda autoridade humana foi posto por Deus, e o fato de a maioria não viver à altura do que Deus espera não implica que um cristão não possa fazer a diferença na política de um país assim como José, Daniel, Sadraque, Mesaque e Abdenego fizeram.

 Legalismo que gera a morte.

O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, devido a erros absurdos resultantes de sua hermenêutica e exegese incorretas ao se interpretar a Bíblia, criou leis para seus seguidores que podem resultar na morte deles. Por exemplo, considere a famosa questão da proibição das Transfusões de Sangue. Baseados em Gênesis 9:3, 4, Levítico 17:10-12 e Atos 15:28, 29, entendem que a Bíblia, ao proibir “comer sangue” está incluindo receber sangue através duma transfusão.

Mas será que “comer sangue” e não “abster-se de sangue” é o mesmo que transfusão de sangue? Uma testemunha de Jeová poderia afirmar que sim, visto que a medicina considera uma transfusão de sangue como alimentação intravenosa, e se é alimentação, trata-se de comer sangue.

Uma transfusão de sangue não consiste em comer sangue. Apesar de um médico, ao dar alimentação a um paciente de modo intravenoso, chamar essa operação de “alimentação”, simplesmente não significa que o procedimento de dar sangue de forma intravenosa se constitua em “alimentação”. O sangue não é recebido pelo organismo como “comida”. Comer é o ato literal de colocar a comida para dentro do organismo de modo normal, através da boca, e consequentemente para o sistema digestivo.

Se fôssemos levar a sério a argumentação do Corpo Governante, a medicina teria que criar a terminologia de que as células comem o sangue visto que o sangue as alimenta com nutrientes. Que comer sangue e transfundir sangue nada têm a ver um com o outro deduz-se do seguinte fato: Se uma pessoa perder três litros de sangue num acidente e dermos chouriço para ela comer, ela morrerá por falta de sangue; Se uma pessoa estiver morrendo de fome e ministrarmos nela uma transfusão de sangue, não mataremos a fome dela e ela morrerá.

“O sangue transfundido não pode ser usado pelo corpo como alimento, da mesma forma que um órgão transplantado não pode ser usado como alimento pelo corpo. Como existe uma grande diferença entre comer um coração humano e receber um coração transplantado, assim também existe uma grande diferença entre comer alimento com sangue e receber uma transfusão de sangue.

O sangue proibido em Gênesis 9:3, 4, Levítico 17:10-12 e Atos 15:28, 29 refere-se ao sangue de animais ou qualquer tipo de carne que se mata para comer, e não de doadores vivos desejosos de salvar uma vida. Para o povo de Deus do Antigo Testamento, o sangue representava a vida do animal e sendo morto seu sangue deveria ser usado apenas no altar para fazer expiação, conforme atestam as palavras de Levítico 17:11: “e eu o tenho dado a vós sobre o altar, para fazer expiação por vós, porque é o sangue que faz expiação pela vida”

Portanto, não está em voga aqui o uso de sangue para salvar uma vida da perda de sangue num acidente, mas de salvar sua vida em sentido espiritual, através do uso do sangue do animal morto no altar; também envolvia o sangue simbolizar a vida, portanto, seria irreverência tratá-lo como comida. É por isso que em Atos 15:28, 29, para evitar problemas entre judeus e gentios convertidos a Cristo, incluiu-se o “abster-se de sangue” na lista de coisas necessárias, pois mesmo crendo que o sangue de Cristo salva do pecado e da morte (daí se deveria dispensar o não comer sangue devido ao seu valor expiatório), ainda assim o judeu convertido a Cristo tinha o sangue como sagrado.

Mas o legalismo do Corpo Governante na questão do sangue não para por aqui. Ele decide por uma Testemunha de Jeová a recusar até mesmo o seu próprio sangue armazenado antes da cirurgia, como forma alternativa para não se usar sangue de outra pessoa.

Aqui temos o sangue autólogo, condenado pelo Corpo Governante. Uma vez armazenado, afirmam que não pertence mais à pessoa e deveria, portanto, conforme Deuteronômio 12:24, ser derramado na terra como água. Seria esta uma interpretação correta do texto bíblico supracitado? De modo algum! O contexto revela-nos que o sangue proibido se referia ao do animal abatido para ser comido e não de doadores dispostos a salvar uma vida, conforme já se explicou aqui.

Em nome desta péssima interpretação da liderança mundial das Testemunhas de Jeová, muitos morreram fiéis a essa doutrina estranha à fé cristã. Por exemplo, para encorajar seus seguidores a evitar qualquer tipo de sangue como tratamento médico, o Corpo Governante publicou na capa de uma de suas revistas crianças que morreram fiéis a Jeová e que se recusaram a receber uma transfusão de sangue.

Legalismo que destrói o futuro

Cursar numa Universidade é o sonho da maioria dos adolescentes que deixam o ensino médio. Para o Corpo Governante, é arriscado e uma demonstração de falta de sabedoria cursar uma Faculdade.

Se deixar de cursar uma universidade poupa as TJs da exposição a uma crescente desmoralização, então não deveria haver uma TJ com educação superior e esta organização dependeria exclusivamente de profissionais de religiões condenadas pelo Corpo Governante desta organização.

O mundo tem pouco tempo? Segundo a Bíblia, sim. Mas isto não significa que cursar uma Universidade seja sofrer lavagem cerebral.Aconselhou seus seguidores a trabalharem como pioneiros, ou seja, pessoas que trabalham no mínimo sessenta horas por mês de casa em casa. Mas não seria sofrer lavagem cerebral parar com os estudos para trabalhar para uma religião? Afirmaram que não seria correto gastar entre quatro a oito anos de estudos numa Universidade pois não o mundo estaria no fim. Escreveram isso em 1969. Quem creu nesse alerta tão sem cabimento já está quatro décadas esperando o fim sem formação superior. Não se trata isso realmente de uma lavagem cerebral?Se alguém, ao cursar educação superior, torna-se agnóstico, ou ateu, o problema estava em sua educação cristã, em seu caráter cristão, em suas convicções não muito bem alicerçadas, em não ter perseverado na fé em que cria. Não se pode negar que nas Universidades e Faculdades há muitos estudantes que de acordo com a Bíblia são más companhias.

Entre as várias heresias pregada pelos TJs a negação da divindade de Jesus é uma das mais absurdas,eles dizem:

Se o fosse, quando duas pessoas lhe pediram para se assentarem um à sua direita e outro à sua esquerda no Reino, Jesus respondeu que não tinha autoridade para conceder tal pedido, mas apenas o Pai. Então raciocinam: ‘Se Jesus fosse Deus, ao dizer que não tinha tal autoridade, teria mentido.

Jesus, mesmo sendo Deus encarnado, não mentiu ao afirmar que não competia a ele a autoridade para atender o pedido daqueles jovens, mas sim ao Pai. 

Na Trindade, as Três Pessoas trabalham no relacionamento com o homem da seguinte forma: O Filho é submisso ao Pai, o qual é o cabeça ou chefe de Jesus. (1 Coríntios 11:3) Portanto, o Pai determina o que deve ser feito ou não na economia da Trindade em relação ao homem. Isto não torna o Pai maior ou o Filho menor em essência e natureza divina. Por exemplo, numa empresa em que três irmãos são sócios, há apenas um presidente, que decidirá os rumos da empresa. O fato de os outros dois irmãos serem submissos ao irmão-presidente não torna os dois inferiores a ele em natureza, como se fossem menos seres humanos que ele. Na Trindade, dá- se o mesmo. O fato de o Filho reconhecer a autoridade funcional do Pai sobre ele não o torna menos Deus que o Pai. Na verdade, Jesus é tão Deus quanto o Pai, por isso, Tomé disse a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!” - João 20:28.

Os TJs negam que Jesus seja Deus porque Jesus disse: “O Pai é maior do que eu”. (João 14:28) E ainda afirmam: Não adianta dizer que Jesus era menor que o Pai apenas enquanto esteve na terra, porque mesmo depois de sua ressurreição e ascensão aos céus, se diz que ele é submisso ao Pai, que ele tem um Deus e Pai, logo, ele é inferior ao Pai.

Quando Jesus disse o Pai é maior do que eu, em João 14:28, usou a palavra grega meízon. Esta palavra designa maior na posição, não na natureza, ou essência. Por exemplo, se disséssemos: “O Presidente do Brasil é maior do que a Dona Maria”, ele seria maior na posição (cargo, função, título) ou na essência e natureza (mais ser humano do que a Dona Maria)? É evidente que o Presidente do Brasil não é maior na acepção de ser mais ser humano do que Dona Maria. Ele é maior na posição, mas igual em natureza a todos nós. O mesmo ocorre entre Jesus e o Pai. O texto não disse que Jesus é um deus menor que o Pai. Jesus é igual em natureza (tão Deus quanto) ao Pai, mas inferior em posição, pois o Pai é o seu cabeça. Isso em nada interfere no que cremos sobre a Trindade e a divindade de Jesus. E sobre Jesus ser mencionado como tendo um Deus e um Pai, mesmo depois da sua ressurreição, isto também não nos atrapalha em nada.

 Quando a Bíblia diz que o Pai é Deus (1 Coríntios 8:5), o Filho é Deus (João 20:28), o Espírito Santo é Deus (Atos 5:3, 4), e que Deus é um só (João 17:3), quer nos ensinar que cada Pessoa da Trindade é plenamente Deus, num só Deus, portanto, quando Jesus foi ressuscitado, Ele podia, mesmo sendo Deus, afirmar ter um Deus, não para adorá-lo em seu estado ressurreto, mas para considerá-lo como a Pessoa do Pai em posição acima que a dele, não em grau de divindade maior do que ele. Por isso que a Bíblia ensina que antes de se criar tudo, Jesus era Deus e estava com Deus (o Pai e o Espírito Santo). – João 1:1. 

Os TJs negam que Jesus seja o próprio Deus porque em Provérbios 8:22-31 Jesus é chamado de a sabedoria de Deus, mas no versículo 22 se diz: “O SENHOR me criou como a primeira das suas obras, o princípio dos seus feitos mais antigos.” Então, concluem que Jesus é criatura98, não o Deus Verdadeiro.

Se Jesus é a sabedoria de Deus, então ele não pôde ter sido criado, pois a sabedoria de Deus nunca foi criada. Alguns TJs responderiam que o texto de Provérbios 8:22 não se refere à sabedoria abstrata de Deus, mas apenas à que foi revelada através de Jesus, já que Deus nunca revelou toda a sabedoria de Deus. Todavia, nenhum tipo de sabedoria divina foi criada no sentido literal. Foi criada na acepção de ser revelada. Então, o verbo criar em hebraico não está sendo usado para afirmar que Jesus ou qualquer sabedoria de Deus foi criada, mas revelada. Logo, esse texto de provérbios 8:22 não pode ser usado para falar sobre Deus ter criado Jesus, mas sobre Ele ter revelado sua sabedoria através de Jesus.






sexta-feira, 5 de julho de 2019

O mistério da piedade

                                O MISTÉRIO DA PIEDADE ( 1 TIMÓTEO 3:16 )


                            " E sem dúvida alguma,grande é o mistério da "piedade"(εὐσεβείας) "

Timóteo deveria comportar-se em seu ofício,diante da honra que Deus lhe concedera como "governador" da Casa d'Ele.Honroso porque a Igreja é quem sustenta a verdade de Deus neste mundo,e nada há de mais precioso do que conhecer a Deus e buscá-lo para conhecê-lo,adorá-lo e servi-lo.

Ser irrepreensível em sua verdade é vital para o progresso nesse ofício,pois tão grande tesouro foi entregue à nós,deve ser altamente estimada:Deus manifestou-se em carne e tornou-se homem.

Isso ultrapassa nosso entendimento,e essa informação deveria nos deixar assombrados.Essa verdade foi pregada aos gentios,que até então foram banidos do reino,tendo essa fé no curso de todo o mundo,até então limitada aos judeus,esse mesmo Cristo foi elevado às alturas e entrou na glória,estando assentado à direita do Pai.

O mistério da piedade consiste na verdade revelada do Evangelho anunciada por Jesus e reafirmada por Paulo: 
a) o Verbo eterno encarnado na pessoa de Jesus Cristo veio ao mundo com uma missão: buscar e salvar o perdido; 
b) governado e aprovado em Seu ministério terreno e ressurreto pelo Espírito Santo; 
c) acompanhado ministerialmente pelos anjos em todo o Seu ministério; 
d) anunciado como Senhor e Salvador entre as nações; 
e) acolhido por aqueles que Nele crêem; 
f) recebido pelo Pai e o Espírito Santo em Sua glória de onde retornará a fim de buscar a Sua igreja para que a tenha Consigo eternamente.  Isaías 53; João 1. 1 – 5, 10 - 14, 8. 24;   10. 10b; 14. 1 – 3; 15. 22, 24 - 25; 16. 28; Mateus 1. 24; 2. 13 – 14, 19 – 21; 3. 17; 17. 5; Lucas 1. 26 – 38; 2. 9 – 15; 19. 10; 22. 43; Atos 1. 9 – 11; Romanos 8. 11; Hebreus 1. 3; 2. 17; 4. 15; 1 João 3. 1 – 3.

Desprezar isso,certamente é uma ingratidão que será condenada,pois os anjos desejaram esse ofício,esse mistério que nem eles conheciam(eles não sabiam os meios da nossa redenção),isso dá sentido ao que Paulo escrevia:Igreja "Baluarte da verdade de Deus".Timóteo Era a pessoa mais idônea com quem poderia abrir o seu íntimo, aprender e se sentir capacitado na obra do ministério pastoral. Nada como ter ao lado alguém experiente e que tem prazer em partilhar o que sabe conosco. Ao escrever à igreja em Filipos, três anos antes de enviar a primeira carta a Timóteo, o apóstolo Paulo fez essa declaração a respeito do seu filho na fé:(Filipenses 2:19-24).

Paulo recomenda que era necessário que a igreja  aprendesse pelo Evangelho a se relacionar corretamente com Deus, entre os irmãos e aqueles que ainda não eram cristãos.Na sequência da redação de  sua carta a Timóteo o apóstolo Paulo se manifesta sobre o mistério da piedade, isto é, a revelação que Deus fez de Si em Seu Filho e da missão que Lhe foi entregue e plenamente cumprida.

A obra perfeita do Senhor Jesus já havia sido definida na eternidade pelo conselho da vontade divina em decisão unânime das três pessoas da Divindade em Sua unidade como Deus único. Apocalipse 13. 8b.Essa revelação da verdade do Evangelho citada pelo apóstolo é a reafirmação do que o Senhor Jesus disse aos apóstolos nas orientações finais antes de Sua morte: “Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai”. João 16. 28.

Na eternidade o relacionamento divino era apenas de natureza espiritual e pessoal. O tratamento paternal ou filial era inexistente e desnecessário porque Deus é Espírito e como Espírito se relaciona com os Espíritos que Lhe são iguais. As Escrituras designam o Deus plural e incriado em Sua unidade e relacionalidade em suas primeiras citações. Gênesis 1. 1, 26 - 27; 11. 5 – 9.

Isso chama a Igreja a observar o conteúdo do Evangelho: A sujeição de Cristo à todas as nossas fraquezas

O relacionamento paternal e filial só ocorreu na história quando o Verbo, Deus com Deus, se tornou homem na pessoa de Jesus, o Cristo, o Messias. Esse nome humano lhe foi dado por ordem divina considerando sua missão reconciliadora e salvadora. Mateus 1. 18 – 25. Somente a partir de Sua humanidade é que Jesus Cristo passou a se relacionar com Deus chamando-O de Pai e este O apresentou ao mundo como Seu Filho amado. Mateus 3. 13 – 17; Lucas 2. 48 – 52; 23. 46;  João 5. 19, 30. Esse entendimento é fundamental para que as palavras de Jesus sejam compreendidas tanto no exercício da natureza divina quanto da natureza humana. 

O mistério da piedade, a verdade revelada do Evangelho, existente na eterna mente divina foi apresentado progressivamente na história pelo próprio Deus após a queda da humanidade na pessoa do seu representante legal, o primeiro Adão. Os profetas antigos falaram desse mistério, mas suas mentes não alcançaram em profundidade o seu significado. 1 Pedro 1. 10 – 12; 2 Pedro 1. 20 - 21; Somente com a vinda ao mundo de Jesus Cristo, o Filho de Deus, a Luz do mundo é que a revelação foi entendida e acolhida por aqueles que Nele crêem. Os apóstolos, movidos pelo Espírito Santo, reafirmaram nos evangelhos e nas cartas às igrejas o que haviam recebido do Senhor Jesus a respeito dessa revelação. João 1. 1 – 5; 10. 30; 14. 1 – 3, 7 – 11; 16. 28; 17. 1 - 26 .

Tudo isso para tornar-se fraco como nós somos,para que Ele pudesse ter compaixão de nós e nos ajudar em nossas fraquezas( Hebreus 4:5).Sua graça antes oculta,foi derramada sobre nós.

Considerar isso deve nos fazer maravilhados.Consideramos o que Deus é?Aprouve a Deus expressar sua bondade e mostrar que deveríamos estimar isso como uma joia preciosa,expressando nossa gratidão.

Paulo chama esse ato de "mistério",pois do que as Escrituras revelam sobre as ações divinas na história é possível fazer o caminho inverso que nos remete ao que foi decidido por Deus na eternidade como já foi mencionado. Pela decisão unânime do conselho divino estabeleceu-se que uma das pessoas divinas assumiria na terra em Sua divindade a plena humanidade. Isso era necessário para que a dívida da humanidade junto à justiça divina contraída pelo primeiro devedor, Adão, fosse paga pelo novo homem gerado por Deus através do Espírito Santo em uma mulher - Maria.

Na primeira confrontação da história da humanidade, ao se dirigir ao Diabo, autor da natureza pecaminosa e do pecado, incorporado na serpente, assim disse o Senhor: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”. Gênesis 3. 15. Esse evangelho, boa notícia para a humanidade, foi anunciado pelo próprio Deus, no Jardim do Éden, antes da revelação na história do mistério da piedade. O Deus de amor ainda na eternidade tomou todas as providências da salvação a fim de que o Diabo não levasse à perdição eterna toda a humanidade. Somente o Deus onipresente, onisciente e onipotente poderia realizar essa obra perfeita jamais imaginada pelo inimigo.

Na história da salvação tanto o  amor quanto a justiça e a misericórdia divina componentes de Sua Graça precisariam ser plenamente contemplados. Deus age na integridade do Seu caráter. Essa ação divina, eterna e histórica, inalcançável pela mente humana, se tornaria realidade na história até que Deus tivesse Consigo no tempo e na eternidade aqueles que Ele determinou em sua Onisciência que responderiam afirmativamente ao Seu convite de amor. 

“Desde o início faço conhecido o fim; desde tempos remotos o que virá. Digo: meu propósito permanecerá em pé; e farei tudo o que me agrada”. (Isaías 46. 10.)

O que foi decidido na eternidade pelo conselho divino se cumpriu. Nenhum dos descendentes de Adão gerados naturalmente estava habilitado para realizar esse pagamento que deveria ser feito em morte substitutiva. Essa impossibilidade ocorreu porque todos pecaram. Nenhum pecador poderia assumir substitutivamente por seu semelhante esse pagamento. Era necessário que o descendente da mulher e não do homem fosse levantado na história para que a dívida do homem com a Justiça divina fosse paga. Romanos 3. 23; 6. 23.

Deus veio em socorro do homem e tudo providenciou em Sua Graça salvadora. No tempo determinado Deus se manifestou em corpo humano na pessoa do Seu Filho, sem pecado, para que sobre Si levasse os pecados daqueles que Nele crêem como Senhor e Salvador. Isaías 53. Hebreus 10. 5 – 10. O princípio estabelecido por Deus para que a dívida fosse paga de forma única e definitiva era a morte substitutiva de um inocente que fosse tão humano quanto os humanos, mas sem pecado para que pudesse levar sobre Si os pecados dos pecadores que acolhem a graça de Deus pela fé e fazendo deles inculpáveis aos olhos de Deus. Esse ato divino/humano realizado por Jesus Cristo tornou sem efeito para os salvos a morte espiritual (separação eterna de Deus) e a morte física (separação temporária entre alma e corpo) pela ressurreição que antecederá o arrebatamento da igreja.  A Lei divina já estabelecia: “sem derramamento de sangue não há remissão de pecado”.  Hebreus 9. 22.

O primeiro sacrifício substitutivo a favor do homem, no período da paciência de Deus, foi realizado pelo próprio Deus no Jardim do Éden com a morte de animais. Foi essa a primeira providência divina para anunciar antecipadamente ao homem o que estava na mente divina e que se concretizaria no sacrifício único, definitivo e plenamente aceitável do Messias.   

Ao sacrificar animais para dar dignidade ao homem e à mulher diante de Deus, o Criador não somente confeccionou, mas pessoalmente vestiu o casal com a nova e adequada vestimenta. Deu-lhes dignidade diante de Si.  Mais um princípio foi estabelecido: só nos tornamos adequados diante de Deus quando Ele nos faz adequados para Si. Nossas obras nada representam ao nos apresentarmos à Deus. O que Ele faz por nós e em nós é o que O agrada.

A imagem do Criador vestindo Suas criaturas é a maravilhosa, inexplicável e insondável manifestação da grandeza da Graça salvadora de Deus. O Ofendido se dobra diante dos ofensores para torná-los adequados a Si. Deus, o ofendido, se mostrou humilde diante da criatura, ofensora. O Messias ratificou a humildade divina horas antes de assumir por nós a cruz. João 13. 1 – 20. Ele usa o Seu Poder para restaurar à dignidade pecadores indignos. A Graça divina não desconsiderou o pecado, mas se antecipou à necessária disciplina. Já estava em vigor a lei da semeadura e colheita e ela seria considerada para que o amor e a  justiça divina fossem igualmente contemplados. Deus perdoa o pecador, mas não o livra das consequências do seu pecado. A responsabilidade da colheita é de quem semeou.

A partir da iniciativa divina em socorrer Suas criaturas, ao homem foi revelado que deveria manter esse ritual de purificação até que viesse o descendente da mulher. Este faria um único e perfeito sacrifício, purificando não somente os pecados, mas fazendo morrer a natureza pecaminosa no homem que o leva a pecar. Somente com a retirada da velha natureza pecaminosa é que Deus concede ao perdoado a nova natureza não mais voltada à prática deliberada do pecado, mas à obediência à vontade de Deus. Romanos 6; 2 Coríntios 5. 14 – 17.

Ao ser manifestado em corpo, em Belém da Judéia, o Filho de Deus foi saudado pelos anjos que O acompanharam discretamente em todo o período ministerial, horas antes de Sua morte no Jardim do Getsêmani, na ressurreição e no retorno glorioso à Casa do Pai, agora revestido de Sua humanidade. À direita de Deus, o Pai, está o Deus-Filho. Seu relacionamento com Deus após o retorno ao céu é tanto espiritual quanto filial. É nessa condição que exerce o ministério da intercessão pelos salvos até que termine a história e inicie a vida eterna da igreja com o Senhor Jesus. Ele foi feito pelo Pai através do ministério do Espírito Santo, o centro de convergência e difusão da glória, da graça, da soberania, da justiça e da misericórdia divina. Nele e em torno Dele gravitam todas as criaturas e acontecimentos do mundo visível e invisível, no céu e na terra, no tempo e na eternidade. Tudo o que Deus fez, faz e fará tem Jesus Cristo como centro e é a Ele que os salvos têm como referência de caráter, herança, esperança e vida eterna com Deus. Todas as perfeições divinas se manifestam através Dele de onde tudo provém, por meio do qual elas se concretizam e voltam para Ele em glória, adoração, louvor e serviço tanto dos anjos quanto da humanidade. É diante Dele que todo o joelho se dobrará no céu e na terra. Para glorificá-Lo, o Pai Lhe concedeu a função judiciária no final da história porque é Deus e homem. João 5. 22 – 23; Efésios 1. 3 – 14; Filipenses 2. 5 – 11. 

Dentro desse contexto a identidade da igreja está inseparavelmente vinculada ao seu fundador Jesus Cristo. Não se pode falar em Jesus Cristo sem a igreja  e na   "mistério"igreja sem Jesus Cristo. Ele, a cabeça, ela, o corpo. Ela está espiritualmente assentada com Ele  nas regiões celestes e Ele está espiritualmente nela e  age  por seu intermédio no mundo pelo Espírito Santo que lhe concedeu. Isso faz para que a comunhão entre os santos seja cultivada no presente até que seja eterna após o arrebatamento. João 14. 1 – 3, 23; Efésios 2. 6; 3. 10.

A igreja é, portanto, comunidade habitada pelo Deus vivo; é coluna e fundamento da verdade. Sua unidade em Cristo a torna inabalável. É por meio dela que Deus trata dos Seus interesses na terra e revela Sua Palavra às nações.  Aqueles que Nele crêem e O acolhem como Senhor e Salvador são incluídos na família de Deus e são Seus filhos.

Uma vez cumprido plenamente o Seu ministério terreno, o Senhor Jesus foi elevado ao céu em corpo glorioso e sem pecado e recebido pelos anjos de Deus até que se apresentou ao Pai onde está assentado à Sua direita em majestade. Aguarda o momento quando no cumprimento da vontade do conselho divino retornará nas nuvens para arrebatar Sua igreja a fim de que ela esteja Consigo para sempre.  João 14. 1 – 3; 1 João 3. 1 – 3.

Paulo chama tudo isso de "mistério da piedade": O Deus eterno manifestar=se em carne.Fomos criados com esse fim:unirmos a Deus através de um corpo com Cristo.

Ninguém pode ser cristão sem conhecer esse mistério(segredo) descrito por Paulo.A pergunta é:conhecemos esse mistério?

Pelo que percebemos por declarações aqui de membros do grupo,de pastores por ai e dos que dizem fazer parte da igreja,parece que não conhecem,pois não expressam nem igual à uma criança esse "mistério",mostrando claramente o desprezo e a negligência devido outras preocupações,o que explica a brutalidade com que falamos dos rudimentos do cristianismo,e aí o próprio Calvino ironiza dizendo:"Quando se fala "manifestar em carne",deduz-se como língua estranha""

Mesmo com nossa sonolência e apatia Deus nos compele a pensar sobre tal mistério.Satanás durante a história tentou apagar ou a humanidade ou a divindade de Jesus,às vezes misturando ambas para não perceber suas naturezas distintas para desfazer o sacrifício.Paulo diz "Deus manifestou-se em carne",admitindo as naturezas distintas de Jesus,pois este é o maior suporte e esteio da nossa salvação.

Essa conversa de que não gostamos de teologia,de que não precisa se conhecer,é uma conversa satânica,pois é nisso que ele gasta sua força,para manter os homens na ignorância( Jeremias 9:24 ).

A manifestação do mistério ( Hebreus 9:26 ) é explicado em Romanos 5:18.O pecado cometido em nossa natureza foi reparado em própria natureza idêntica,não poderemos entender e nem viver esse mistério da piedade e nele permanecer.

Deus só poderia nos beneficiar se fosse semelhante à nós.Ele abriu o caminho de volta pra Deus( Hebreus 2:16-17 ).Se não compreendemos a sua humanidade,como iremos fazer parte da mesma substância d'Ele.Se não conhecemos a sua majestade,como vamos confiar n'Ele?

As duas naturezas de Jesus são como os nossos 2 olhos na cabeça:cada um desempenha sua função,mas quando focamos em algo eles se unem em prol daquele objetivo,é como a alma e o corpo no homem:um é um espirito invisível que não pode ser tocado,o outro uma massa informe corruptível,que pode ser tocado,mas ambas formam o homem,uma criatura.Num milagre maior Deus empreendeu isso em Jesus."SE manifestou" usado por Paulo para distinguirmos sua humanidade e divindade para recebe-lo conscientemente,pois Jesus foi aprovado(justificado)ou merecedor de ser glorificado

Quando ouvirmos a palavra:"mistério" lembremo-nos:

1. Aprendamos a nos manter em nossos sentidos,sem nos gabarmos de possuirmos conhecimento e capacidade para compreender o assunto.

2. Irmos além de nós mesmos e reverenciar essa majestade além do nosso entendimento.Não podemos ser lentos e nem negligentes,mas considerar tal doutrina e nos esmerarmos em sermos instruídos nela

É aqui que o calvinismo sobressai de outras linhas teológicas,por ter um conhecimento quase pleno da doutrina e de tirar proveito dela no dia a dia,por saber o que significa essa união com Cristo e no que foi estabelecido,ou seja,se nossa salvação falhar é porque Cristo falhou em sua obra,mas como sua obra foi perfeita é impossível acontecer uma perda do que foi conquistado e aplicado em nós.

Por isso,diz Paulo,que em Cristo não somos apenas vencedores,porèm "mais que vencedores.


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Calvino e Serveto

                                          CALVINO E SERVETO



Gerações sempre estão passando a limpo pontos obscuros da história de seus antepassados:

. Vários grupos alemães trouxeram a lume aspectos do envolvimento do povo alemão no Holocausto que serviriam para amenizar a sombra que paira sobre a nação pelo assassínio de milhares de judeus durante a Segunda Guerra.

Dr. Frans Leonard Schalkwijk em sua obra Igreja e Estado no Brasil Holandês lança luz sobre a figura do “traidor” Calabar, demonstrando que a “traição” foi, na verdade, sua conversão ao Evangelho pregado pelos holandeses reformados. 

. Quem sabe o post possa ajudar a passar a limpo alguns aspectos do tristemente famoso episódio envolvendo João Calvino e a execução na fogueira do médico espanhol Miguel Serveto, condenado por heresia contra a Trindade, em 1553, em Genebra.

A intenção não é justificar a participação de Calvino no incidente. Não posso concordar com a pena de morte como castigo para a heresia.Os maiores heróis do passado tomaram decisões e fizeram declarações que nos causam, séculos depois, estranheza e discordância. Calvino não é nenhuma exceção.Meu alvo neste post não é defendê-lo como se ele fosse sem defeitos. É claro que ele os tinha. É claro que ele errou. 

Episódios do passado devem ser entendidos à luz dos conceitos e valores da época em que ocorreram. Não podemos justificar Calvino por pedir a pena de morte para Serveto, mas podemos entender os motivos que o levaram a isto.

Logo após a cidade haver abraçado a Reforma protestante, a viram como “o espelho e modelo de verdadeira devoção, um abrigo para os refugiados perseguidos por sua fé, um lugar seguro para treinar e enviar ao estrangeiro soldados do Evangelho e ministros da Palavra”. Logo que Genebra abraçou a Reforma oficialmente e cortou suas lealdades para com o bispo e Duque de Savóia, a cidade foi inundada por refugiados de toda a Europa. Da noite para o dia Genebra se tornou, depois de Wittenberg, Zurique, e Estrasburgo, um monumento da fé protestante.

É de admirar que, apesar dos testemunhos em contrário, prevaleceu na opinião pública a idéia de que Genebra era uma teocracia e Calvino era seu Papa!

Em 25 de maio de 1536 os cidadãos de Genebra votaram por aderir à Reforma protestante. Mas isso é só o começo. Sem liderança qualificada, Genebra estava à beira do colapso civil e religioso. O que a república nova precisava era de um jovem visionário.

Calvino chegou em Genebra fugindo das autoridades de Paris. Ele havia inicialmente se encaminhado para a cidade reformada de Estrasburgo, onde Martin Bucer estava pregando. Porém, o Rei francês e o Imperador estavam envolvidos em uma guerra que bloqueou a estrada para a cidade. Frustrado, mas destemido, Calvino tomou um desvio para Genebra durante a noite. De lá não passaria. Ficou, a pedido insistente de Farel, líder protestante da cidade, e depois de algum tempo foi designado o pastor da Igreja de São Pedro, a catedral de Genebra. Tensões entre Calvino, Farel e o Conselho municipal com respeito à celebração da Ceia do Senhor, as atribuições da Igreja e do Estado e o exercício da disciplina, acabaram por levar o Conselho a expulsar Calvino de lá. E ele seguiu, exilado, para Estrasburgo.

Ali (1538-41), Calvino se sentia como se estivesse no céu. Martin Bucer se tornou o seu mentor dele Calvino assumiu o pastorado da Igreja francesa reformada da cidade. Durante este tempo, Calvino publicou alguns dos seus trabalhos mais notáveis; ali casou com Idelette Bure, a viúva de um amigo anabatista. Calvino estava muito feliz lá, mas uma vez mais Genebra estava chamando.

O Conselho municipal escreveu a Calvino pedindo ajuda contra o ensino do Cardeal Sadoleto, que procurava retomar Genebra para a Igreja Católica. Pediu desculpas, e com mais um apelo de Farel, convenceram Calvino a voltar.

O mito de “o grande ditador de Geneva” é enraizado em conceitos populares difundidos especialmente pelas obras de Bolsec e Huxley, que fizeram afirmações sem ter qualquer fato histórico que os apoiasse, mas que não obstante acabaram por moldar a visão de Calvino que hoje prevalece em muitos meios evangélicos. Calvino não tinha qualquer acesso à máquina decisória do Conselho. Ele mesmo não podia votar e nem concorrer a qualquer cargo político eletivo. E mesmo quanto aos negócios da Igreja, Calvino quase não tinha qualquer poder decisório.

A 25 de outubro de 1553 o Conselho municipal emitiu o decreto que condenava Miguel Serveto à ser queimado na estaca por heresia. De fato, foi Calvino quem o denunciou e quem pediu a pena de morte para ele. 

Contexto em que isto aconteceu:

  1. A pena de morte por heresia era prática geral da Idade Média. 
  2. Serveto chegou a Genebra fugido de Viena e da França, onde havia sido condenado à morte pela Igreja Católica, sob a acusação de heresia contra a Trindade. 
  3. Serveto veio à Genebra apesar dos avisos de Calvino de que isto poderia lhe custar a vida. 
  4. Chegando em Genebra, se fez conhecido a Calvino em público. Foi preso e, embora Calvino fosse um teólogo e advogado treinado (havia mesmo sido empregado pelo Conselho municipal para traçar a legislação relativa à previdência social e ao planejamento dos serviços de saúde pública), mesmo assim, não foi o promotor do processo eclesiástico contra Serveto. Lembremos que ele não tinha nem os mesmos direitos de um cidadão comum! 
  5. Calvino aceitava a pena de morte, não somente para os que matavam o corpo de seus semelhantes, mas também para os que lhes matavam a alma através do veneno mortal do erro religioso. 
  6. Por outro lado, não foram as convicções teológicas de Calvino que o levaram a isto. Não se pode culpar as suas convicções, particularmente sua firme crença na soberania de Deus, pela execução de Serveto. 
  7. Calvino havia se correspondido com Serveto e há  evidência nestas cartas de que ele tinha tentado até mesmo se encontrar clandestinamente com o anti-trinitário para tentar convencê-lo do seu erro. 
  8. Há outro fato a ponderar. Quando foi dada a Serveto a escolha da cidade onde seria julgado, ele escolheu Genebra. A outra opção era Viena, de onde viera fugido. Por alguma razão, ele deve ter pensado que suas chances de sobrevivência eram melhores em Genebra. Porém, o Conselho municipal da cidade, conduzida pela facção dos Libertinos, totalmente contrários a Calvino, estava determinada a mostrar que Genebra era uma cidade reformada e comprometida com os credos. E assim, Serveto foi condenada a ser queimado vivo. 
  9. Calvino suplicou ao Conselho que executasse Serveto de uma maneira mais humanitária do que o ritual tradicional de queima de hereges. Mas, claro, o Conselho municipal recusou o argumento de Calvino. Farel visitou Calvino durante a execução. Calvino estava tão transtornado, como foi mais tarde reportado, que Farel partiu sem dizer até mesmo adeus. 
  10. A execução de Serveto foi aprovada por todas as demais cidades-estados reformadas, e por todos os reformadores. Lutero e Zwinglio,segundo os qu viveram na época,se vivos,certamente haveriam concordado. Os demais, Bullinger, Beza, Bucer, etc.. todos deram apoio irrestrito à Calvino.

Antes de chamá-lo de "assassino",estes  fatos que devem ser lembrados, . Durante este mesmo período, a propósito, trinta e nove hereges foram queimados em Paris, vítimas da Inquisição católica, que estava sendo aplicada com rigor na Espanha e Itália, e outras partes de Europa. Apesar de que muitos que não eram ortodoxos buscaram (e encontraram) refúgio em Genebra, fugindo das autoridades católicas, Serveto foi o único herege a ser queimado lá durante a carreira distinta de Calvino. 

Até mesmo os Judeus foram convidados pelas cidades-estados reformadas para se abrigarem nelas, fugindo da Inquisição.

Muitos ignoram é que Calvino era um pastor atencioso, que visitou pacientes terminais de doenças contagiosas no hospital que ele mesmo havia estabelecido, embora fosse advertido dos perigos de contato. Foi ele quem instou o Conselho a afiançar empréstimos a baixos juros para os pobres. Foi ele quem defendeu a educação universal, livre para todos os habitantes o cidade, como Lutero e os outros reformadores tinha feito. Sua preocupação diária em 1541 era como dar à Genebra uma Universidade. 

Pelo fim da vida de Calvino, ao ser visto nas ruas da cidade, os moradores diziam, “Lá vai nosso Mestre Calvino”. Em 10 de março de 1564 o Conselho decretou um dia de oração para a saúde de Calvino e o reformador recuperou-se durante um tempo. Na Páscoa deste ano Calvino foi levado à igreja carregado em sua cadeira para participar da Ceia do Senhor, devido ao seu extremo estado de fraqueza,. Quando a enorme congregação o viu chegar assim, começou a se lamentar e a chorar. No sábado, 27 de maio, Calvino morria, aos cinqüenta-cinco anos de idade. Quando à noite as notícias da sua morte se espalharam pela cidade, “Genebra lamentou-se como uma nação lamenta quando perde seu benfeitor”.

A execução de Serveto permanece como uma mancha na história da carreira distinta de Calvino em Genebra. Usá-la,ao meu ver ,porém, para denegrir sua imagem, para atacar a sua teologia, e para envergonhar os calvinistas, é expediente preconceituoso de quem não deseja ver todos os fatos. 

terça-feira, 2 de julho de 2019

Qualidades do arrependimento

                                             Qualidades do Avivamento


Na ótica que estamos focando,estamos deixando à parte muitas caracteristicas do  arrependimento,mas é proposital por querer trazer uma visão diferente daquele arrependimento sofrível,onde ficamos mais com raiva da gente e das pessoas do arrependidos.

Assim destacamos: 1.) Are tranquilidade e a 2.) A firmeza

Uma sentença é a mesma "com" paixão ou "sem" paixão.

Na nossa caminhada,vemos de tudo,por isso recomendo cuidado com o arrependimento exagerado,repentino,com amorficações e indignação.

Às vezes nos analisamos não pela natureza do erro,mas segundo nossa indignação.

A repreensão dócil do pai,corrige mais do que o castigo no memento de exaltação.

Faça isso com a alma:paixão para com ela e não contra ela.Exorte-a a proceder melhor,assim fale com ela carinhosamente e juntos implore pela misericórdia.

Deus nos ajudará e nos usará,e decida não cair mais nessa cilada,procurando meios  e obedecendo seu líder.Assim seja enérgico se sua alma endurecer.

Não se deixe confundir com ela,console-a novamente e tenha confiança ( Salmo 42 )

 - Não tenha pensamentos de morte

 - Não gere remorsos de pena

A amputação exige calma e sossego.

A graça traz o pesar do seu desagrado ao Pai.

Não sou calvinista nem arminiano,sou bíblico

                                   NEM CALVINISTA,NEM ARMINIANO,SOU BÍBLICO


NÃO SOU ARMINIANO E NEM CALVINISTA, SOU BÍBLICO
V

Existe uma visão falaciosa de que se identificar com determinado sistema soteriológico torna a pessoa menos bíblica ou até mesmo seguidora de homens.O presente texto se preocupa em elucidar as questões que envolvem o assunto. A alegação de que ser arminiano ou calvinista é deixar de ser bíblico para lançar mão de interpretações humanas é uma falácia lógica. 
                                       Introdução

Atualmente existem muitas pessoas que hesitam em se posicionar soteriologicamente. A principal frase que temos ouvido no evangelicalismo brasileiro sobre essa hesitação é que, “não sou arminiano e nem calvinista, sou bíblico.Essa frase constitui uma falácia lógica e apresentar as razões pelas quais ela está equivocada. Para tanto, daremos uma olhada no conceito de falácia lógica e mostraremos que o texto bíblico usado para defender essa ideia, também acaba recaindo numa falácia, pois é utilizado fora de seu sentido original e fora de seu contexto.
Ser arminiano ou calvinista não implica em seguir integralmente as ideias dos teólogos que levam seus nomes, a saber, Jacó Armínio e João Calvino, mas sim na identificação da interpretação envolvida na relação criação – queda – redenção.


Desconstruindo a falácia lógica
Antes de prosseguirmos, é importante explicar o significado da expressão “falácia lógica.”
Falácia é “uma forma de raciocínio que parece correto, mas que, quando examinada cuidadosamente, não o é.” Trata-se de uma ideia aparentemente bem construída, com fundamentações e delineações. Entretanto, algo de errado está inserido em meio ao raciocínio ou à conclusão. A análise dos postulados, das premissas, das evidências, fundamentações e até mesmo da dedução pode desconstruir a ideia que aparenta ter veracidade.
Lógica,que remonta à Grécia Antiga. Cunha e Machado explicam que a lógica tem origem com Aristóteles, entre os séculos IV e V a.C., além de ser usada pelos filósofos a fim de analisar quais argumentos eram bons e quais eram ruins e, assim, persuadir o outro lado a mudar de ideia.Partindo desse pressuposto analítico, a lógica passou a ser “um instrumento para raciocinar e para preservar a consistência.”[6] Em contrapartida, raciocinar é o ato de se ocupar com “o processo de compreender, revisar ou reforçar suas crenças.”
A lógica, portanto, é a ferramenta que usamos para buscar a compreensão, a revisão ou o reforço de nossas ideias a fim de verificar se há ou não consistência em alguma premissa. Essa verificação pode ser realizada através da dedução (conclusões obtidas através de premissas), indução (conclusões que podem ir além das premissas), teoria de modelos (comparações com modelos hipotéticos) e metateoria (são as provas a respeito das provas).
De uma forma mais simples, a falácia lógica nada mais é do que uma conclusão que foi obtida através da verificação dedutiva, indutiva, comparativa hipotética e/ou metateórica a respeito de alguma ideia ou crença. A conclusão parece estar correta, mas quando é examinada com mais cautela, pode-se perceber seus erros e fraquezas. 
Falácia lógica ignora os fatores condicionadores e confunde-os com aquilo que é essencial.
É o caso da afirmação “não sou arminiano e nem calvinista, sou bíblico.” Num primeiro momento ela transparece piedade, obediência à Palavra de Deus e um retorno ao princípio reformado Sola Scriptura. Entretanto, ela não passa de um equívoco sobre o que é ser arminiano ou calvinista e também do que é ser bíblico.
A primeira questão a ser analisada é: as soteriologias arminiana e calvinista não são bíblicas? A pergunta nasce da própria conclusão da afirmação de que não sou nem um nem outro, “sou bíblico.” Essa afirmativa já aponta que os dois sistemas em questão não são bíblicos e acaba assumindo uma postura de arrogância. 
Mas, o que é ser bíblico? Algo que muitos confundem é achar que para ser bíblico é preciso haver uma conformidade literal com as Escrituras no uso de terminologias e nomenclaturas. Essa postura não é “bíblica” e sim “biblicista.(é o nome que se dá à insistência de usar a Bíblia para solucionar todos os problemas teológicos, morais e filosóficos, ou, pelo menos, o uso da Bíblia para determinar o valor da verdade que há nessas questões.
Se o biblicismo fosse verdadeiro, então termos muito comuns nas homilias cristãs deveriam ser anatematizadas, tais como Trindade, pecado original, onipotência, onipresença, onisciência, providência, graça comum, etc. 
E até mesmo questões morais e jurídicas, tais como masturbação, suicídio, legítima defesa, roubo e furto, etc. 
A liturgia cristã também deveria ser totalmente revisada, afinal, instrumentos como baterias, guitarras, contrabaixos e outros não se encontram nas Escrituras. 
O púlpito não é algo usado pelos primeiros cristãos, aparelhagens de som, microfones e até mesmo data-shows deveriam ser eliminados dos cultos, pois não estão nas orientações cúlticas do novo testamento. 
Outrossim, haveria um enorme problema quanto à não proibição do uso de drogas, visto que não há nenhuma referência bíblica a esse respeito.
Ser bíblico, portanto, não é usar literalmente as expressões oriundas da Bíblia e sim estar em harmonia com os ensinos dela. Embora a palavra Trindade não ocorra nas Escrituras, seu significado está presente em todo o livro sagrado. O mesmo ocorre com as expressões teológicas usadas no parágrafo anterior, bem como os termos de cunho moral e jurídico e com as questões litúrgicas. Bíblico, conforme qualquer dicionário da língua portuguesa, significa algo proveniente da Bíblia ou relativo a ela.
Diante disso, as soteriologias arminiana e calvinista não seriam bíblicas?  
Elas se preocupam em trabalhar a criação, a queda e a redenção, a partir daquilo que as Escrituras revelam. 

Em sua obra História das controvérsias da teologia cristã, o Dr. Roger Olson propõe uma abordagem mediadora. Trata-se de uma superação das diferenças desnecessárias e desastrosas entre perspectivas e interpretações doutrinárias. Isso é algo completamente inerente ao debate soteriológico arminianismo x calvinismo. A abordagem mediadora é um esforço para buscar a unidade da fé e uma base comum partilhada por diferentes grupos cristãos. Por isso, ele pergunta: “todos os cristãos deveriam partilhar de certas convicções? Existe, por acaso, um conjunto doutrinário básico que define o cristianismo autêntico em termos de conteúdo? Ou será que qualquer pessoa pode declarar-se autenticamente cristã e, não obstante, crer no que sua mente ou vontade consideram aceitável?”[12]

A boa teologia deve nos conduzir ao reconhecimento daquele que é adorado. Nossa postura deve ser de reverência, temor e dedicação diante de Deus. O estudo teológico não é um fim em si mesmo, mas deve aprimorar nossa relação com o Altíssimo, caso contrário não passará de mero conhecimento intelectual. Martin Lloyd-Jones foi feliz em seu comentário: “o grande perigo é tornar a teologia um tema abstrato, teórico, acadêmico. Ela jamais pode ser isso, porque é conhecimento de Deus".[15] Desta forma, o conhecimento jamais deve ser objeto de arrogância, soberba, vaidade ou orgulho. Paulo disse que, “se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber” (1 Co 8.2). Precisamos assumir uma postura humilde e jamais de donos da verdade.


Normalmente, as pessoas que encontram dificuldade em assumir um posicionamento teológico na área de soteriologia, alegam que não seguem a homens e sim a Jesus Cristo. Uma das principais fundamentações para esse posicionamento de repúdio relacionado ao arminianismo e/ou ao calvinismo é o texto paulino de 1 Coríntios 1.11-13: 
“Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. Com isso quero dizer que cada um de vocês afirma: ‘Eu sou de Paulo’; ‘eu de Apolo’; ‘eu de Pedro’; e ‘eu de Cristo’. Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?”
Essa referência bíblica não serve para defender a falácia lógica tratada no presente artigo. Vejamos o porquê: Paulo começa a epístola dizendo que na comunidade de Corinto havia todos os dons espirituais (1 Co 1.7). Esses dons estão relatados na mesma epístola no capítulo 12. Entretanto, essa comunidade não podia ser chamada de espiritual e sim de carnal, pois havia divisão nela. Uns preferiam as pregações de Paulo, outros preferiam as mensagens de Apolo e havia um terceiro grupo que se identificava mais com Pedro. Mas, havia um quarto grupo. Este grupo pode parecer mais piedoso que os demais e, aparentemente, eles eram mais cristocêntricos que os demais, porém, todos são tratados como imaturos (1 Co 3.1-6)

Embora o quarto grupo pareça ser cristocêntrico, na verdade eles eram tão problemáticos quanto os anteriores. Isso se dava porque este grupo não se submetia a nenhuma autoridade. Eles não são seguidores de homens, portanto, a liderança de Paulo, de Pedro, de Apolo, ou de qualquer outra pessoa não servia. Eles se submetiam apenas a Jesus. 
Esse discurso, aparentemente piedoso, não passava de uma falácia. A insubmissão não encontra lugar no pensamento paulino: “Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham. Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles.” (1 Ts 5.12,13). O autor da carta aos hebreus também disse: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês” (Hb 13.17).
Outra observação importante é a de que Paulo lida com todos os quatro grupos chamando-os de “crianças.Esse termo é humilhante. Trata-se de uma exortação acerca da imaturidade dos mesmos. Desta forma, todos os facciosos eram imaturos, não passavam de crianças que não estavam glorificando a Deus. A infantilidade dos quatro grupos era tão grande que Paulo alega não poder dar um alimento mais sólido. Ele está fazendo uso de uma metáfora para dizer que não pode tratar de doutrinas mais profundas, pois eles a imaturidade deles clama por um alimento mais leve e básico, isto é, as doutrinas rudimentares da fé cristã.
Desta forma, parafrasear que não somos de Paulo, Pedro, Apolo, Armínio ou Calvino, a fim de defender, com base no texto de 1 Coríntios 1.12, que tal pessoa é seguidora de Cristo apenas e que não segue os ensinos de nenhum outro mestre, configura um erro duplo: exegético e histórico-teológico. O erro exegético já foi exposto.

Considerações finais
Afirmar não ser arminiano e nem calvinista, sob o pretexto de que é bíblico, configura uma falácia lógica. A frase pode até parecer piedosa e resgatadora da bibliocentrocidade. Todavia, conforme já foi analisado, os sistemas soteriológicos arminiano e calvinista não são bíblicos, é usada uma falácia para defender a falácia analisada. Trata-se de dizer que não somos de Paulo, nem de Pedro, nem de Apolo, nem de Armínio e nem de Calvino, mas de Cristo. Esta falácia também foi analisada e chegamos à conclusão de que o texto bíblico que embasa esse argumento é utilizado de maneira equivocada, pois os de Cristo eram tão facciosos quanto os três grupos anteriores.
Concluímos, ainda, que ser arminiano ou calvinista não se trata de ser um seguidor integral de todos os pontos de vista dos teólogos que representam esses sistemas, a saber, Jacó Armínio e João Calvino. Dizer que não se segue o arminianismo por causa de Armínio é outra falácia que foi desconstruída, haja vista outros pontos doutrinários que foram construídos por pessoas altamente importantes no cristianismo histórico, tais como Tertuliano, Cirilo de Alexandria Agostinho e William Durham, dentre vários outros que não foram mencionados no presente artigo.


RECOMPENSA COMPLETA

                                                  RECOMPENSA INTEIRA

TEXTO: Acautelai-vos, para não destruirdes a obra que realizamos com zelo, mas para que, pelo contrário, sejais "recompensados regiamente." ( 2 João 1:8 )

                    Hebreus 12:1-3

PREGADOR : Pastor Cleife 

TEMA : RECEBENDO A RECOMPENSA INTEIRA  


                                                              INTRODUÇÃO


.Trabalhar e não receber o salário integralmente
. Há o risco de não sermos recompensados por :(2 João 1:9)
- Irmos além do ensino de Cristo
- Ficarmos aquém do ensino de Cristo

1. TEMOS UM PROPÓSITO ( UMA CARREIRA PROPOSTA )

- QUAL "PALAVRA" FOI LIBERADA PARA VOCÊ?

- A CAUSA VALE A PENA 

- POR ISSO "PERMANECE" NO PROPÓSITO

2. CERCADOS DE UMA NUVEM DE TESTEMUNHAS(Hebreus 12:1)

- TESTEMUNHAS NÃO SÃO INIMIGOS MAS COMPANHEIROS DA MESMA EQUIPE

- PROJETOS QUE PARAM

- VOLTE PARA O PROPÓSTO

3. LIBERTE-SE DE "TODO" PESO ( Hebreus 12:1)

- ÁS VEZES O PESO SOMOS NÓS MESMOS (EMPECILHO)

. O TEXTO FALA QUE O "EMBARAÇO" É O PECADO

. NADA PODE NOS IMPEDIR DE ANDAR 

4. OLHANDO PARA JESUS ( Hebreus 12:2)

. DEUS DÁ O PROPÓSITO ( AUTOR DA OBRA E CONSUMADOR)

. FORA DO PROPÓSITO HÁ GUERRA

. A REALIZAÇÃO DESSE PROPÓSITO TEM UM MODELO:JESUS

- JOÃO 17:2  MORRER PARA OUTROS VIVEREM

- VIVER NO PROPÓSITO É HONRAR

- MATEUS 10:40 RECEBER É HONRAR

. SUBMISSÃO AO PROPÓSITO

. OBEDIÊNCIA É CARACTERÍSTICA DE QUEM É FIEL AO PROPÓSITO

- CRISES VIRÃO,MAS A OBEDIÊNCIA TIRA AS CRISES


                                                   CONCLUSÃO


. VOCE QUER SER FELIZ?

MATEUS 11:28 OUÇA E OBEDEÇA ( GUARDE )