segunda-feira, 16 de março de 2020

Sermão Expositivo O Vale da Dor Mateus 26:36-46

                                      INTRODUÇÃO

1. O vale da dor é incontornável. Todos passamos por ele.
Todos sofremos.
2. Jesus também teve o seu Getsêmani. O jardim do Getsêmani
fica no sopé do Monte das Oliveiras, pois ali existia muitos olivais. Getsêmani
significa lagar de azeite, prensa de azeite.
3. Por ser um aparato destinado a receber os frutos da
oliveira, para transformá-los em óleo, produto de muitas utilidades, o dito
aparato era instalado mesmo no interior do jardim das Oliveiras.

4. Foi neste lagar de azeite, onde as azeitonas eram
esmagadas, que Jesus experimentou o mais intensa e cruel agonia. Ali sua vida
foi moída. Ali foi esmagado sob o peso dos nossos pecados. Ali seu corpo foi
golpeado. Ali suou sangue. Ali enfrentou a fúria do inferno, o silêncio do céu.

        I. O PRELÚDIO DO VALE DA DOR

1. Olhe pela janela dos quatro evangélicos e veja que noite
fatídica foi aquela para Jesus.
2. Lá estava Jesus, com os doze discípulos, celebrando a
Páscoa
a) Ele ensina a eles a humildade, lava-lhes os pés;
b) Ele aponta o traidor, e este sai na escuridão daquela
noite para o trair;
c) Ele lhes dá o novo mandamento;
d) Ele avisa a Pedro “Nesta noite, antes que o galo cante,
tu me negarás três vezes”.
e) Ele lhes consola: “Não se turbe o vosso coração…”
f) Ele ora por eles (Jo 17).
3. Saem de noite, do Cenáculo, na noite da trama, da
armadilha, dos acordos escusos, do suborno traidor, na calada da noite. O
sinédrio está reunido na surdina, urdindo planos diabólicos, subornando
testemunhas, comprando a consciência fraca de Judas.
4. Saem do Cenáculo apenas em 11. Judas não voltou. Descem o
Monte Sião. Cruzam o Vale do Cedrom. Entram no Getsâmani. Era noite. Dos 11 que
o acompanham, 8 estão ficando para trás. E parece que por ordem dele:
“Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar.”
5. Continua Jesus caminhando, mas agora, somente com 3. A
angústia toma conta de sua alma. A morte, o salário do pecado, o acossa. “A
minha alma está profundamente triste até a morte”.
6. Os 3 ficam também para trás. Ele agora segue sozinho.
Ajoelhou-se o Senhor do céu e da terra. Ajoelhou-se o Rei do Universo.
Ajoelhou-se o Deus encarnado.
Prostrou-se com o rosto em terra – humilhou-se.
Ora intensamente, numa luta de sangrento suor.
O anjo de Deus vem consolá-lo.
Judas capitaneia a súcia, a turba maligna.
Os inimigos caem. Cristo se entrega voluntariamente.

II. AS MENSAGENS DO VALE DA DOR

1. No Vale da dor enfrentamos profunda tristeza – v. 38

No Getsêmani da vida você terá tristeza. Sim, se Cristo
passou pelo Vale da Dor, nós também passaremos. Vida Cristã é um vale de
lágrimas. Temos alegria do céu, mas cruzamos também os vales da dor. Passamos
por desertos esbraseantes, por ondas revoltas, por ventos contrários, por rios
caudalosos, por fornalhas ardentes.
Jesus também teve tristeza e não foi só no Getsêmani:
a) Ficou triste com a morte do seu amigo Lázaro – e essa
tristeza levou-o também a chorar. Quantas vezes você já ficou triste e chorou
pela morte de um amigo, de um ente-querido?
b) Ficou triste e chorou sobre a cidade de Jerusalém – Jesus
chorou ao contemplar a impenitente cidade de Jerusalém, assassina de profetas,
rebelde. Ele disse: “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedrejas os
que te foram enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a
galinha ajunta os seus filhotes, mas tu não o quisestes”. Quantas vezes você já
chorou por um parente ou amigo que se recusou a crer em Cristo até a hora da
morte?
c) Ficou triste no Getsêmani – Agora, entre a ramagem
soturna das oliveiras, sob o clima denso da trama, e peso da cruz Jesus
declara: “A minha alma está profundamente triste até a morte”.
d) Por que Jesus estava triste?
1) Era porque sabia que Judas estava se aproximando com a
turba assassina?
2) Era porque estava dolorosamente consciente de que Pedro o
negaria?
3) Era porque sabia que o Sinédrio o condenaria?
4) Era porque sabia que Pilatos o sentenciaria.
5) Era porque sabia que o povo gritaria infrene: Crucifica-o?
6) Era porque sabia que o povo escolheria a Barrabás e o
condenaria?
7) Era porque sabia que seria açoitado, cuspido e humilhado
pelos soldados romanos?
8) Era porque sabia que os seus discípulos o abandonariam na
hora da morte? NÃO!!!
A tristeza de Cristo era porque sua alma pura, estava
recebendo toda a carga de todos os nossos pecados. Na cruz Deus escondeu o
rosto do seu Filho. Ali ele foi feito pecado e maldição. Ali ele clamou: “Deus
meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Até o sol escondeu o rosto de Jesus, e as trevas cobriram a
terra.
Jesus foi traspassado, moído. Na cruz ele desceu ao Hades.
Ali ele entristeceu-se porque sorveu sozinho o cálice da ira
de Deus. Só pagou o preço da nossa redenção. Sofreu só, sangrou só, só morreu!
Como você tem enfrentado o seu vale de dor, o seu Getsêmani?

2. O vale da solidão- v. 39

No Getsêmani da vida, no vale da dor, muitas vezes, você
sofrerá sozinho.
Nesta hora Jesus buscou dois refúgios: a solidariedade
humana e a vontade divina. Na solidão precisamos de a) Comunhão Humana; b)
Comunhão com Deus. Jesus pediu a presença dos 3 discípulos com ele. Jesus não
pede nada, nem quer ouvir nada deles, mas pede a presença deles. Paulo também
prediu que Timóteo fosse ter com ele e levasse João Marcos. Na hora da solidão,
precisamos de gente e precisamos de Deus!
a) Muita gente há havia abandonado a Jesus (Jo 6:66).
b) Seus discípulos o iam abandonar agora (Mt 26:56).
c) Pior de tudo, na cruz ia gritar: “Deus meu, Deus meu, por
que me desamparaste?” – As multidões o deixaram. Os discípulos o deixaram.
Agora é desamparado pelo próprio Pai.
d) Muitas coisas disse Jesus às multidões. Quando porém,
falou de um traidor, foi apenas para os 12. E únicamente para 3 desses 12 é que
ele disse: “A minha alma está profundamente triste até à morte”. E por fim,
quando começou a suar sangue, estava completamente sozinho.
e) Quando Paulo estava no seu Getsêmani, na prisão romana, à
beira do martírio, disse: “Todos me abandonaram. Na minha primeira defesa ninguém
foi ao meu favor. Mas ali viu sua coroa.
f) Quando João foi exilado na Ilha de Patmos, passou pelo
seu Getsêmani sozinho, mas ali Deus lhe abriu a porta do céu.
g) Quando Jó foi abandonado pela sua mulher, e acusado pelos
seus amigos, pode ver a Deus face a face.
h) Como você tem enfrentado a sua solidão?

3. O vale da oração – v. 39,42,44

Quando passamos pelo Vale da dor, muitos murmuram, outros se
desesperam, outros deixam de orar, outros deixam de ler a Bíblia, outros
abandonam a igreja, outros se revoltam contra Deus.
Nas provas devemos aprender a orar como Jesus. Sua oração
foi marcada por 5 características:
1) Humilhação – Ele, o Deus eterno, está de joelhos. Ele, o
criador do universo, está com o rosto em terra, suando sangue. Como não
deveríamos estar quando também atravessamos o vale da dor?
2) Intensidade (Lc 22:44) – Jesus enfrentou a maior batalha
da sua vida em oração. A batalha foi tão intensa que Jesus começou a suar
sangue. Foi uma oração de guerra. Ele se agonizou em oração.
3) Perseverança – Ele orou 3 vezes e progressivamente.
4) Vigilância (v. 41) – Jesus alertou os discípulos para
vigiar e orar. Porque não vigiaram: 1) Dormiram na batalha; 2) Pedro negou
Jesus; 3) Os discípulos fugiram; 4) Pedro cortou a orelha de Malco; 5) Não
sabiam o que responder a Jesus? Seus olhos estavam carregados de sono, porque
seus corações estavam vazios de oração.
5) Submissão (v. 39,42,44) – A oração não é que a vontade do
homem seja feita no céu, mas para que a vontade de Deus seja feita na terra.
Porque Jesus orou teve coragem para enfrentar a turba, a prisão, os açoites, a
cruz, a morte. Sem oração você foge como os discípulos (v. 56). “Se correr o
bicho pega, se ficar o bicho come. Mas se orar, o bicho foge”.
Muitos se desesperam quando cruzam o vale da dor, mas Cristo
caiu de joelhos e orou e na oração prevaleceu. E você, tem se rendido a Deus?
Tem se colocado de joelhos, dizendo: “eu me rendo Senhor, seja feita a tua
vontade Senhor”.
Marcos 14:36 diz que Jesus começou sua oração, dizendo:
“Aba, Pai”. Era a palavra que uma criancinha usava para se dirigir ao seu Pai.
Jesus se dirige a Deus, sabendo que ele é Pai, digno de toda confiança. O que
nos livra da tentação é saber que no vale da dor: Deus é bom e ele é o nosso
Pai.
4. O vale da Consolação (Lc 22:43)
Deus nos consola nos dando livramento da prova, ou nos dando
poder para vencer as provas.
a) Paulo ora 3 vezes pedindo cura do espinho na carne, mas
Deus lhe diz: “A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza”.
b) Tiago diz que devemos ter por motivo de toda a alegria, o
passarmos por diversas tribulações (Tg 1:2-4).
c) No Getsêmani da vida, Deus o consolará: “E apareceu-lhe
um anjo do céu que o confortava”.
d) Jesus não encontrou pleno conforto nos seus discípulos,
pois a vigília da solidariedade tinha se transformado no sono da fuga. Mas
quando Jesus buscou a face do Pai, um anjo desceu do céu para confortá-lo.
Porque os amigos mais solidários falharam, ele ficou solitário com o Pai e foi
consolado.
e) Agora o sofredor manchado de sangue é consolado por um
anjo do céu. Depois que travou a mais sangrenta batalha da história. Depois que
aceitou sorver sozinho o cálice da ira de Deus. Depois que se dispôs a carregar
o lenho maldito. Depois que se dispôs a se tornar maldição por nós. Depois que
desafiou o inferno e seus demônios, foi consolado!
f) Deus nunca abandona os seus no vale da dor, no Getsêmani
da vida. Ele é o Deus e Pai de toda consolação.
1) Os amigos de Daniel – No Getsêmani da fornalha foram
consolados pelo anjo do Senhor.
2) Pedro na prisão – ia ser morto no dia seguinte, mas o
anjo do Senhor o levantou, o guiou, o livrou, o consolou.
3) Paulo no naufrágio – Passou 14 dias na voragem do mar.
Tempestade convulsiva. Todos haviam perdido a esperança. Mas Deuse enviou seu
anjo para confortar a Paulo e lhe garantiu a vitória.
4) Você tem sentido a consolação de Deus?
CONCLUSÃO
1) Como foi que Jesus entrou no Getsêmani da sua vida?
Profundamente angustiado, abatido e cheio de tristeza.
2) Como foi que saiu? Tão fortalecido e vitorioso que bastou
somente uma palavra sua para fazer seus inimigos recuarem, caindo todos por
terra. Jesus não foi preso, ele se entregou. Ele se deu. Ele morreu. Ele
ressuscitou. Ele venceu. Ele está conosco. Ele nos consola, nos guia, nos leva
para a Casa do Pai.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Sermão Expositivo A humilhação e a Exaltação de Cristo

  A HUMILHAÇÃO E EXALTAÇÃO DE CRISTO
                         (Filipenses 2.6-11)

                      INTRODUÇÃO

1. A doutrina sempre deve estar conectada com a vida
Filipenses 2:6-11 é o texto clássico da Cristologia na Bíblia.
William Barclay diz que esta é a passagem mais importante e mais emocionante que Paulo escreveu sobre Jesus.
Aqui Paulo alcança as alturas mais excelsas da sua reflexão teológica acerca do Filho de Deus.
Porém, o contexto revela-nos que Paulo está tratando de um problema prático na vida da igreja, exortando os crentes à unidade.
Paulo está expondo seu pensamento teológico mais profundo para resolver um problema de desunião dentro da igreja.
A teologia deve sempre estar conectada com a vida:
.Ela determina a ética.
.É a base para a solução dos problemas que atacam a igreja.
.A igreja precisa pensar teologicamente.
  .Paulo sempre se une teologia e ação.
  .Todo sistema de pensamento deve necessariamente converter-se em um caminho de vida.
.Esta passagem é uma daquelas que tem o maior alcance teológico do Novo Testamento.
.A intenção está em persuadir e impulsionar os filipenses a viverem uma vida: .li .de desunião 
.de desarmonia  
.de ambição pessoal.

2. A vida de Cristo é o exemplo máximo para a igreja

.Corrige os problemas internos da igreja de Filipos não apenas lhes oferecendo conceitos doutrinários, mas mostrando-lhes o exemplo de Cristo.
.O melhor remédio para curar os males da igreja é olhar para Jesus,sendo atacada por inimigos externos e por intrigas internas.
.Há uma área em que Cristo não pode ser nosso exemplo:
Não podemos imitir seus atos redentivos 
- Devemos imitar o espírito que serviu de base para esses atos.
A atitude de expandir na vida de cada discípulo(Mt 11.29; Jo 13.12-17; 13.34; 21.19)

I. A HUMILHAÇÃO DE CRISTO (2.6-8)

1. Ele voluntariamente abriu mão de seus direitos (2.6)

. Jesus antes da sua encarnação sempre foi Deus 
.Ele sempre foi revestido de glória e majestade (Jo 17.5). .Ele é o criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis (Cl 1.16).                                                                              
.Ele sempre foi adorado pelos anjos nas cortes celestiais.                                                                              
.A expressão “subsistindo em forma de Deus” (2.6) é muito importante para entendermos a divindade de Cristo.                                                               .Hyparquein descreve aquilo que é essencial e que não pode ser mudado; aquilo que possui uma forma inalienável. 

  .Características inatas, imutáveis e inalteráveis.

 .Paulo começa dizendo que Jesus é Deus em forma essencial, inalterável e imutável.
  .“subsistia em forma de Deus”.
  . Há duas palavras gregas para forma: morphe e schema.
  . Podem ser traduzidas por “forma”,porém "morphe" é a forma que jamais altera,que é a palavra que Paulo usa
  . Jesus não alterou em nada sua "forma" de Deus ( essência e ser imutáveis)
  . Lutero : "Filho do Pai,Deus por natureza"
  . Ralph Martim : " morphe:natureza essencial,"shema" em oposição a forma exterior
.Filipenses 2.6 é que Cristo Jesus sempre foi (e continuará sempre sendo) Deus por natureza, a expressa imagem da Divindade.
.Jesus sempre foi Deus (Jo 1.1; Cl 1.15; Hb 1.3).
.Ele sempre possuiu toda a glória e louvor no céu. Com o Pai e o Espírito Santo, ele sempre reinou sobre o universo.


Há uma outra verdade gloriosa exposta no versículo 6

.O apóstolo Paulo diz que Jesus “não julgou como usurpação o ser igual a Deus”
  . Não considerou a sua igualdade com Deus como “algo que deveria reter egoisticamente
  . “usurpação” é harpagmos.
  . Essa palavra só aparece aqui em toda a Bíblia. 
  . Ela provém de um verbo que significa arrebatar ou aferrar-se
  . Jesus não se agarrou aos  privilégios de sua igualdade com Deus, 
  . Abriu mão dela por amor aos homens.
Ralph Martin afirma que para o Cristo pré-encarnado, ao invés de imaginar que igualdade com Deus significa obter, ao contrário, ele deu – deu até tornar-se vazio.
F. F. Bruce interpreta que não existe a questão de Cristo tentar arrebatar, ou apoderar-se da igualdade com Deus: ele é igual a Deus, porque o fato de ele ser igual a Deus não é usurpação.
Cristo é Deus em sua natureza. Tampouco existe a questão de Cristo tentar reter essa igualdade pela força.
A questão fundamental é, antes, que Cristo não usou sua igualdade com Deus como desculpa para auto-afirmação, ou autopromoção
. Ele  usou a ocasião para renunciar a todas as vantagens ou privilégios que a divindade lhe proporcionava,como oportunidade para auto-empobrecimento e auto-sacrifício sem reservas.
. Jesus não pensou em si mesmo; ele pensou nos outros.
Ele abriu mão de sua glória, desceu das alturas e, usou seus privilégios para abençoar os outros.
Vale a pena contrastar a atitude de Cristo com a de Lúcifer (Is 14.12-15) e com a de Adão (Gn 3.1-7).
Lúcifer declarou: “Eu farei”, mas Jesus disse: “Faça-se a tua vontade”.
Lúcifer não se contentou em ser uma criatura, queria ser o criador; Jesus era o criador e, voluntariamente, fez-se homem.
A humildade de Jesus constitui uma reprovação ao orgulho de Satanás.
Lúcifer não se contentou apenas em ser rebelde, mas invadiu o Éden e tentou o homem à rebeldia.
Adão tinha tudo, era o rei da criação, mas Satanás lhe disse:“Sereis como Deus”.
O homem então, tentou agarrar algo que estava para além do seu alcance e assim precipitou toda a raça humana no pecado e na morte
Adão pensou unicamente em si; Jesus Cristo pensou nos outros.
F. F. Bruce coloca essa questão assim:
  . “Adão, criado homem, à imagem de Deus, tentou arrebatar para si uma falsa e ilusória igualdade com Deus. Cristo alcançou senhorio universal mediante sua renúncia, enquanto Adão perdeu seu senhorio mediante o roubo do fruto proibido”.


2. Ele se esvaziou (2.6,7)

O Filho de Deus deixou o céu, a glória, seu trono, e fez-se carne, fez-se homem, se encarnou.
Aquele que em seu estado pré-encarnado é igual a Deus é a mesma Pessoa que se esvaziou
O verbo grego kenou “se esvaziou”, literalmente significa “tirar algo de um recipiente até que fique vazio” ou “derramar algo até que não fique nada”.
Paulo usa aqui a palavra mais gráfica possível para que se faça patente o sacrifício da encarnação. Do que Cristo se esvaziou?

  . Certamente não foi da existência “na forma de Deus”.(isso seria impossível)
  . Cristo renunciou seu ambiente de glória.
  . Ele pôs de lado sua majestade e glória (Jo 17.5), mas permaneceu Deus.
  . Mesmo em seu estado de humilhação ele jamais se despojou de sua divindade.
Em primeiro lugar, ele renunciou sua relação favorável à lei divina.
Enquanto permanecia no céu nenhuma carga de culpa pesava sobre ele
Entretanto, ao encarnar-se, ele que não conheceu pecado, se fez pecado por nós (Jo 1.29; 2Co 5.1);
Ele que era bendito eternamente se fez maldição por nós (Gl 3.13) e levou sobre seu corpo, no madeiro, todos os nossos pecados (1Pe 2.24).
Em segundo lugar, ele renunciou suas riquezas
O apóstolo Paulo diz:
“Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2Co 8.9).
Jesus renunciou tudo, até mesmo sua própria vida (Jo 10.11).
Tão pobre ele era que tomou emprestado: 
.um lugar para nascer,.
.uma casa para pernoitar,
.um barco para pregar,
.um animal para cavalgar,
.uma sala para reunir
.um túmulo para ser sepultado.
Em terceiro lugar, ele renunciou sua glória celestial.
Ele tinha glória com o Pai antes que houvesse mundo (Jo 17.5).
Mas, voluntariamente deixou a companhia dos anjos e veio para ser perseguido e cuspido pelos homens.
Em quarto lugar, ele renunciou o livre exercício de sua autoridade
Ele voluntariamente se submeteu ao Pai e diz:
“Eu não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou” (Jo 5.30).

É estonteante refletir que Paulo tenha escrito sobre esse sublime mistério da humilhação de Cristo para ensinar a igreja de Filipos acerca da humildade nos relacionamentos.
Será que haveria pessoas em Filipos que deveriam doar,
ceder, tornarem-se humildes, mas que declarariam:
“Não se pode exigir isso de mim.
.Isso é demais para minha boa vontade!
.”Será que qualquer um deles, Paulo ou os filipenses, ainda pode reivindicar quaisquer direitos no serviço a esse Jesus?

3. Ele serviu (2.7)

. O eterno Filho de Deus não nasceu num palácio
O Rei dos reis não nasceu num berço de ouro nem entrou no mundo por intermédio de uma família rica e opulenta
Jesus nasceu numa manjedoura, cresceu numa carpintaria e morreu numa cruz
Ele não veio ao mundo para ser servido, mas para servir (Mc 10.45)
Jesus serviu aos pecadores, às meretrizes, aos cobradores de impostos, aos doentes, aos famintos, aos tristes e enlutados.
Quando seus discípulos, no cenáculo, ainda alimentavam pensamentos soberbos, ele pegou uma toalha e uma bacia e levou os seus pés (Jo 13.1-13).

4. Ele se tornou em semelhança de homens (2.7)

O que Paulo quer dizer quando afirmou que Cristo Jesus se tornou em semelhança de homens e foi reconhecido em figura humana?
Aquele que era em forma de Deus e era igual a Deus desde toda a eternidade tomou a forma de um homem num particular momento da história.
embora os homens estivessem certos em reconhecer a humanidade de Cristo estavam errados em dois aspectos:
a) Rejeitaram sua humanidade impecável e sua divindade
   . E ainda que toda sua vida, particularmente, suas palavras e atos poderosos manifestassem “a divindade velada na carne”
b) Rejeitaram suas reivindicações e o odiaram ainda mais por causa delas (Jo 1.11; 5.18; 12.37).

II. A EXALTAÇÃO DE CRISTO (2.9-11)


1. É obra de Deus (2.9)


O apóstolo Paulo faz uma transição daquilo que Cristo fez para aquilo que Deus fez para ele e por ele.
O mesmo que se humilhou foi exaltado e essa exaltação lhe foi dada pelo Pai.
O caminho da exaltação passa pelo vale da humilhação; a estrada para a coroação, passa pela cruz. Deus exalta aqueles que se humilham (Mt 23.13; Lc 14.11; 18.14; Tg 4.10; 1Pe 5.6).
Foi por causa do sofrimento da morte que essa recompensa lhe foi dada (Hb 1.3; 2.9; 12.2)
Deus não deixou Cristo na sepultura, mas levantou-o da morte, levou-o de volta ao céu e o glorificou (At 2.33; Hb 1.3).
Deus deu a Jesus “toda autoridade no céu e na terra” (Mt 28.18).
Deu a ele autoridade para julgar (Jo 5.27) e fê-lo senhor de vivos e de mortos (Rm 14.9), fazendo-o assentar à sua destra, acima de todo principado e  potestade, constituindo-o a cabeça de toda a igreja (Ef 1.20-22)
Fica claro que esta elevação de Jesus não foi a restituição da natureza divina, porque ele jamais a renunciou,
. Mas foi a restituição da glória eterna que tinha com o Pai antes que houvesse mundo, da qual voluntariamente havia se despojado (Jo 17.5,24).



2. É uma exaltação incomparável (2.9)




. A expressão “o exaltou sobremaneira” só pode ser aplicado a Cristo.

. O significado desse verso é “superexaltado”.
. Deus, o Pai enalteceu o Filho de uma forma transcendentemente gloriosa.
. Soergueu-o à mais elevada excelsitude.
. Se os salvos vão para o céu, Cristo ultrapassou os céus (Hb 4.14), foi feito mais alto que os céus (Hb 7.26) e subiu acima de todos os céus (Ef 4.10).
. A exaltação incomparável de Cristo constitui-se no fato dele ter recebido um nome que está acima de todo nome (2.9).
. Ele recebeu este nome por herança (Hb 1.4) e por doação (2.9).
. O nome de Jesus, agora, é possessão da igreja.
. A grande ênfase do Novo Testamento é sobre o senhorio de Cristo.
. O Filho de Deus é chamado de Senhor mais de seiscentas vezes no Novo Testamento.
. Somente os que confessam que Jesus é Senhor podem ser salvos. A Bíblia diz que quem tem o Filho tem a vida.

3. É uma exaltação que exige rendição de todos (2.10)

. Jesus será adorado por toda corporação de seres morais, em todos os setores do universo.
. Os anjos e os seres humanos redimidos farão isso com intenso regozijo, enquanto os condenados farão isso com profunda tristeza e profundo remorso (Ap 6.12-17).
, Ambos, o universo e a Igreja unem-se num reconhecimento comum, e num tributo unânime.
. Na segunda vinda de Cristo os três mundos vão se dobrar aos seus pés:os céus, a terra e o inferno.
. Todo o joelho vai se curvar diante do poderoso nome de Jesus no céu (os anjos e os remidos),na terra (os homens) e debaixo da terra (demônios e condenados).
. Com que júbilo se ajoelharão diante de Jesus aqueles que foram salvos por ele.
. Com que pavor cairão de joelhos aqueles que passaram orgulhosamente por ele ou o rejeitaram!
. Naquele dia todo joelho vai se dobrar, toda língua vai confessar que Jesus é Senhor, mas nem todos serão salvos.

4. É uma exaltação proclamada universalmente (2.11)

 .Toda língua vai confessar que Jesus é Senhor.
. Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Todo-poderoso Deus, diante de quem os poderosos deste mundo vão ter que se curvar e confessar que ele é Senhor.
. Aqueles que zombaram dele, vão ter que confessar que ele é o Senhor.
. Aqueles que o negaram e nele não quiseram crer, vão ter que admitir e confessar que ele é Senhor.
. Essa confissão será pública e universal. Todo o universo vai ter que se curvar diante daquele que se humilhou, mas foi exaltado sobremaneira!
. Isso não significa, obviamente, que todas as pessoas serão salvas.
. Somente aqueles que agora reconhecem que Jesus é o Senhor o confessam como tal serão salvos (Rm 10.9).
. Porém, na segunda vinda de Cristo nenhuma língua ficará silenciosa, nenhum joelho ficará sem se dobrar.
. Toda as criaturas e toda a criação reconhecerão que Jesus é Senhor (2.11; Ap 5.13).

5. É uma exaltação que tem um propósito estabelecido (2.11)

A exaltação de Jesus tem dois propósitos claros:
Em primeiro lugar, que todos, em todos o universo reconheçam o senhorio de Jesus Cristo.
. Deus o exaltou, o fez assentar à sua destra e o constitui o Senhor absoluto do todo o universo.
. O senhorio de Cristo foi a grande ênfase da pregação apostólica (At 2.36; Rm 10.9; Ap 17.14; 19.16).
. Importa que todos, em todos os lugares, de todos os tempos reconheçam e confessem que Jesus é Senhor.
. Em virtude do poder e majestade de Jesus Cristo, e pelo reconhecimento de que ele é o Senhor, toda língua o proclamará.
. Pense nos termos pelos quais temos o privilégio de darmos glória a ele.
Em segundo lugar, que o Pai seja glorificado pela exaltação do Filho. O fim último de todas as coisas é a glória de Deus (1Co 10.31).
. Paulo há havia advertido contra o pecado da vanglória (2.3).
. Toda a glória que não é dada a Deus é glória vazia, é vanglória.
. Cristo se humilhou e suportou a cruz para a glória de Deus (Jo 17.1).
. Ele ressuscitou e foi exaltado para a glória de Deus (2.11).
. O senhorio de Cristo não compete com o de Deus, nem a entronização do Filho ameaça a monarquia única do Pai.
. Cristo rege para a glória de Deus Pai. Sua soberania é dom do Pai (2.9).
. Aquilo que ele recusou-se a usurpar egoisticamente, num ato de enaltecimento próprio, destituído de sentido, aprouve ao Pai conceder-lhe, agora.
. A última palavra é Pai, como que para enfatizar que, agora, no Cristo pré-existente, encarnado, humilhado, exaltado, Deus e o mundo estão unidos,e um novo segmento da humanidade, um microcosmo da nova ordem de Deus para o universo, está nascendo (Ef 1.10).

CONCLUSÃO

. Toda a vida e obra de Jesus não apontam para sua glória pessoal, mas objetiva a glória de Deus.
. Jesus atrai os homens para si para poder levá-los a Deus.
. Na igreja de Filipos havia alguns que tinham o propósito de satisfazer suas ambições egoístas.
. Porém, o único propósito de Jesus era servir a outros ainda que isso tenha lhe custado a maior de todas as renúncias.
. Enquanto alguns membros da igreja de Filipos queriam ser o centro das atenções, Jesus queria que o único centro da atenção fosse Deus.
. Assim, também, o seguidor de Cristo nunca deve pensar em si mesmo, senão nos demais; não deve buscar sua própria glória, senão a glória de Deus